Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

'Custo Brasil' encolhe a pré-Jornada em SP

Dos 30 mil jovens estrangeiros esperados para a Semana Missionária, apenas 10 mil confirmaram presença: paróquias vão ‘dividir’ peregrinos

Adriana Ferraz e Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

06 Julho 2013 | 16h01

 A falta de mobilidade urbana e o chamado “custo Brasil” encolheram a participação de peregrinos na Semana Missionária de São Paulo, evento que antecede a Jornada da Juventude, no Rio, com a presença do papa Francisco. Preparadas para receber até 30 mil estrangeiros a partir desta semana, as paróquias da capital têm agora hospedagem vaga – 10 mil jovens confirmaram presença.

A baixa participação causou frustração em muitas famílias que se preparavam para receber peregrinos em suas casas, e levou o arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, a escrever uma carta de agradecimento aos católicos que se ofereceram para cuidar da hospedagem dos peregrinos. “Não nos deixemos tomar por um sentimento de frustração. Fizemos o que estava ao nosso alcance e tivemos a alegria de constatar tanta generosidade e disponibilidade para acolher os hóspedes”, disse.

Ao Estado, ele frisou que os custos brasileiros dificultam a vinda de estrangeiros neste ano. “O pessoal está calculando, mas sabemos que a crise econômica mundial bate forte”, afirmou. “Acredito que muitos vão direto para o Rio, em vez de ficar duas semanas no Brasil.” O alto desemprego entre jovens na Europa é outro fator de dificuldade.

Na avaliação da Arquidiocese de São Paulo, o número inicial foi superestimado pela própria Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A intenção era assegurar que todos os peregrinos teriam acolhida na cidade. Mas a diferença surpreendeu a Igreja, que já começou a comunicar a baixa adesão às famílias que ofertaram hospedagem.

Neste domingo será a vez dos cristãos da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, no centro, receberem a má notícia. O padre José Roberto Pereira vai abordar o assunto na missa. Mas, para não deixar ninguém triste, muitas comunidades já elaboraram um plano B. Diante do novo contexto, a ideia agora é “compartilhar peregrinos”.

Na congregação de irmãs e padres da Consolata, no Mandaqui, zona norte, os cerca de 270 jovens estrangeiros esperados para a pré-jornada já foram divididos. Para não deixar ninguém na mão, as irmãs vão encaminhar 54 jovens do Equador para serem acolhidos na Comunidade de São Marcos e outros 76 estrangeiros de diversos países para serem hospedados por famílias da Paróquia Santo Antonio dos Bancários.

“Os demais ficarão conosco, em dois alojamentos. Ao todo, receberemos estrangeiros de sete países: Argentina, Bolívia, México, Equador, Colômbia, Venezuela e Quênia. Essa baixa adesão dos peregrinos acabou unindo ainda mais a comunidade, que se mobilizou para atender tanto os estrangeiros quanto as famílias hospedeiras”, diz a irmã Merlânia.

Pratos caseiros. O casal Moreira é vizinho à paróquia e, graças à reorganização dos peregrinos, vai receber um mexicano e um baiano, a partir do dia 15. “Nos prontificamos a receber os jovens desde o anúncio da Jornada. Estamos na expectativa há mais de um ano. Seria uma decepção se eles não viessem”, disse o psicólogo Márcio Mariano Moreira, de 42 anos. Ele a mulher, Janusa, vão ceder o quarto dos filhos para os peregrinos.

Além de adaptar a casa, os paroquianos já elaboraram “mimos” para agradar os hóspedes. Um deles diz respeito às refeições. “Vamos tentar fazer pratos conhecidos, para que se sintam em casa. Para o mexicano, por exemplo, vamos oferecer guacamole e, para o baiano, peixe. Acho que assim vão se sentir acolhidos.”

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