Da comida simples à ultra-sofisticada - tudo se acha em São Paulo

"Uma das coisas mais bacanas é que dá para comer desde pratos supersofisticados até aquela comidinha caseira. São tantas opções que todos os paulistanos têm seus endereços secretos, descolados, seja aquele sushi bar que ninguém conhece ou aquela sanduicheria escondida numa esquina do centro. Adoro esse lado da cidade", diz o badalado chef Alex Atala, dono do D.O.M., um dos restaurantes mais sofisticados de São Paulo, e do descoladíssimo Namesa, na Rua da Consolação.Nos dias de folga, longe das panelas e de ingredientes como foie gras e trufas, Atala gosta mesmo é de saborear petiscos simples como as empadinhas, em dezenas de versões, do Rancho das Empadas, na Vila Mariana, o sanduíche de pernil do Bar e Lanches Estadão ou um salgadinho qualquer no Rei do Mate. "O da Avenida São João", ressalta.Paulistaníssimo da Mooca, com passagens por cozinhas da França e Itália e pela escola Le Cordon Bleu, de Paris, Alex pode afirmar algo que soaria herético na boca de alguém com menos autoridade no assunto: "A oferta de iguarias gastronômicas é maior aqui do que em qualquer outro lugar do mundo".E ele não se refere somente à variedade de frutas, verduras ou legumes, mas a raridades como trufas brancas, caviar ou fígado de tamboril, um tipo de peixe. Mas faz uma ressalva. "Só acho estranho, diante dessa oferta, a dificuldade de se achar alguns ingredientes genuinamente brasileiros", diz, referindo-se aos prosaicos jiló, quiabo e cará.A possibilidade de adquirir produtos importados se reflete na diversidade da culinária oferecida na capital - há 12.500 restaurantes na cidade, de pelo menos 36 regiões do mundo: alemães, árabes, argentinos, asiáticos, cubanos, espanhóis, gregos, franceses, indianos, italianos, judaicos, mexicanos, portugueses, suíços...O cosmopolitismo gastronômico de São Paulo inclui opções bem pouco convencionais, como o Tantra, na Vila Olímpia, que mistura filosofia hindu, culinária asiática - Cingapura, Tailândia, Vietnã, Malásia e Indonésia - e hábitos culturais da Mongólia. O cliente escolhe a carne, ainda crua, e os ingredientes, ou seja, monta a sua receita e a entrega a um chapeiro. Há sugestões de pratos, mas o divertido mesmo é arriscar.O dono, Eric Thomas, garante que é assim que se come na Mongólia. Entre os pratos a la carte, o Tantra oferece, entre outros, salada de abacate com tiras de carne de tubarão. No grego Acrópoles, aberto no Bom Retiro em 1959, nada de serviços à francesa. Os clientes fazem sua escolha nos panelões e tachos na cozinha.Entre os pratos, mussaká, massa que leva berinjela com batatas e carne moída. O tradicional cuscuz de carneiro, da culinária marroquina, pode ser apreciado no Agadir, na Vila Madalena. Tem mais: massas, risotos, carnes, sanduíches sofisticados, que, se não se destacam pelos ingredientes exóticos, ganham no serviço 24 horas."A noite é algo bacana e único em São Paulo. Ao contrário do que acontece em outras capitais, como Londres, Paris e Nova York, é normal para os paulistanos jantarem à meia-noite, algo totalmente incomum nestas outras cidades", garante Atala, que costuma fechar a cozinha do seu D.O.M. somente depois da 1 hora.

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