Da fase de emergência à de recuperação

Suely Nara Vaz de Araújo, presidente do Ibama

Roberta Jansen, Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 03h01

MARIANA - Dois anos depois do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), que lançou lama por toda a extensão do Rio Doce, surgem os primeiros indícios do retorno de animais silvestres às margens do rio e de seus afluentes.

Segundo a presidente do Ibama, Suely Mara Vaz de Araújo, dada a extensão e a gravidade da tragédia, esta é uma boa notícia. A outra boa notícia é que a água destinada ao abastecimento já está sendo tratada e é potável.

“Os efeitos ambientais de um desastre desse porte são complexos e de grande magnitude”, diz ela. “No que diz respeito ao meio ambiente, passamos de uma fase de emergência para a de recuperação ambiental propriamente dita.”

A construção de barramentos em Bento Rodrigues garantiu a contenção da lama e impediu que uma nova tragédia acontecesse. Começa a ser aplicado agora um plano de manejo dos rejeitos, com soluções específicas para cada um dos trechos afetados do Rio. 

No que diz respeito à mata nativa nas margens dos rios, a contenção da lama foi concluída e, agora, começa a replantio de espécies nativas. Dos 109 afluentes pesquisados, apenas 20 ainda estão em situação preocupante.

“Considero esse resultado razoável; melhor do que o da última vistoria”, diz Suely. “Vale lembrar que no que diz respeito à recuperação florestal, temos décadas de trabalho pela frente. É uma tragédia muito grande e seus efeitos são dramáticos.”

Ao longo do Rio Doce foram instalados mais de 50 estações de controle: trata-se do rio mais bem monitorado do país, com novos dados sendo gerados o tempo todo em tempo real.

“São 42 programas sócio-econômicos e ambientais”, resume Suely. “Alguns programas estão andando bem e outros estão atrasados. Mas estão andando. É muita coisa a ser feita: temos ações previstas até 2032. Estamos tentando garantir que tudo seja feito de forma adequada. Mas a restauração de tudo isso ainda demora.”

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