Dado como morto, homem é achado vivo dentro de necrotério

Portador de câncer, Walter Lúcio de Oliveira Gonçalves chegou ao hospital com dificuldades respiratórias e sofreu 3 paradas cardíacas

TIAGO DÉCIMO, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 16h52

SALVADOR - A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) abriu sindicância interna para apurar a atuação da equipe médica que atendeu, na noite de domingo, o paciente Walter Lúcio de Oliveira Gonçalves, de 54 anos, no Hospital Menandro de Farias, em Lauro de Freitas (BA), região metropolitana de Salvador.

Gonçalves, portador de câncer, chegou à unidade com dificuldades respiratórias e, poucas horas depois, sofreu três paradas cardíacas. De acordo com a unidade, o paciente não respondeu às tentativas de reanimação, foi declarado morto às 23 horas e levado, dentro de um saco plástico, para o necrotério. Duas horas depois, porém, um irmão de Gonçalves, Waltério, notou que havia movimento no material que envolvia seu corpo e avisou os médicos, que levaram o paciente de volta para a Unidade de Terapia Intensiva da unidade. A família do paciente, que acompanhou o atendimento, defende a equipe médica do hospital e atribui a "ressuscitação" de Gonçalves a um milagre de Irmã Dulce. O próprio paciente, que está consciente e lúcido, afirmou que a beata baiana foi quem intercedeu por sua vida.

Sem poder falar, por causa de uma traqueostomia, Gonçalves escreveu um bilhete, no qual conta que viu sua mãe (já morta) e que ela lhe pediu para rezar por Irmã Dulce. "Eu vi minha mãe dizendo: 'Filho, se apegue a ela e será salvo'", diz um trecho do texto. "Vi a morte nos meus pés, mas minha fé foi tão grande que me curei. A toda esta equipe (médica) e a minha Irmã Dulce, por tudo e por todos, obrigado."

Gonçalves foi transferido, na tarde desta segunda-feira, para o centro de oncologia do Hospital Santo Antonio, administrado pelas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), em Salvador. De acordo com a família, o valor gasto com a compra do caixão (R$ 1,9 mil) será doado para a Osid.

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