Dados de 2006 indicam exagero em cacife de vice

Ao justificar a escolha de Álvaro Dias como candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, líderes do PSDB afirmaram que isso poderia dar ao candidato tucano uma vantagem de 2 milhões de votos sobre Dilma Rousseff (PT) no Paraná.

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

Para que a previsão se concretize, Serra precisaria abrir no Estado uma folga de cerca de 30 pontos porcentuais sobre a adversária, levando-se em conta o tamanho do eleitorado e as taxas históricas de abstenção. Segundo a última pesquisa Vox Populi, feita em maio, a vantagem do tucano entre os paranaenses era de 12 pontos (46% a 34%).

O cálculo dos tucanos leva em conta não apenas o eventual cacife eleitoral de Álvaro Dias, mas também o de seu irmão, Osmar Dias (PDT). Com Álvaro na chapa de Serra, Osmar desistiria de se candidatar ao governo, e Dilma ficaria sem o palanque pedetista no Estado.

No primeiro turno da eleição presidencial de 2006, o tucano Geraldo Alckmin ficou com cerca de 800 mil votos a mais que o petista Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná.

Na época, como candidato ao governo, o pedetista Osmar Dias era um dos protagonistas da campanha. Ele chegou a flertar com a candidatura de Alckmin no primeiro turno, mas, oficialmente, seu palanque estava aberto para o correligionário Cristovam Buarque, que acabou com votação de "nanico" na disputa pelo Palácio do Planalto: 3,4% dos votos entre os paranaenses.

Foi só no segundo turno que Dias alinhou-se abertamente ao candidato tucano e fez campanha ostensiva por ele. Fechadas as urnas, Alckmin venceu no Paraná, mas com desempenho inferior ao obtido no primeiro turno. A vantagem sobre Lula foi inferior a 100 mil votos.

Segundo as últimas estatísticas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Paraná tem 7,5 milhões de votantes. Levando-se em conta as taxas de abstenção das últimas duas eleições presidenciais, é provável que cerca de 6,3 milhões de paranaenses compareçam às urnas em outubro. / COLABOROU EVANDRO FADEL

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