Dados de DP põem sob suspeita anúncio de ''''dia sem homicídios''''

Estado divulgou que ninguém foi morto no dia 7, mas houve caso na área do 53º DP, zona leste

Fabiane Leite e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 00h00

Dados de dois distritos policiais da capital indicam que pode ter havido precipitação da Secretaria de Segurança Pública ao anunciar que no dia 7, pela primeira vez em 12 anos, São Paulo não teve homicídios nem registro de assassinatos. Testemunhas ouvidas pela reportagem afirmaram acreditar que um assassinato registrado no dia 8 na zona leste aconteceu na véspera - hipótese admitida pela polícia. Se considerados apenas os registros em DPs, houve um caso de homicídio comunicado no dia 7, ainda que referente a uma morte ocorrida na véspera.No dia 8, à 1h14, o corpo de um homem branco não identificado, aparentando 35 anos, foi encontrado pela PM morto com ferimento à bala em Itaquera. Estava ao lado de uma caçamba na Rua Toledo Castelanos, reduto de casas de classe média alta no bairro. O rapaz chegou morto ao Hospital Santa Marcelina. Vizinhos afirmaram ao Estado que não houve briga ou tiros na rua e o corpo foi deixado no local mais cedo.Um morador disse que o corpo deve ter sido jogado entre 23h40 - horário em que sua filha chegou e não notou nada de diferente - e 0h30, quando o filho o avistou na rua. Segundo os próprios policiais do 53º DP (Parque do Carmo), o rapaz pode ter sido morto ainda no dia 7.Já o 26º DP, do Sacomã, na zona sul, registrou no dia 7 o homicídio do auxiliar administrativo Adriano da Silva Pereira. O corpo do rapaz, de 21 anos, foi encontrado com um tiro na têmpora às 20h15 do dia 6. O cientista político Guaracy Mingardi, coordenador do Setor de Análise de Informações Criminais do Ministério Público Estadual, criticou o anúncio do governo. "Passa a falsa sensação de que as coisas estão indo bem." O número de assassinatos caiu drasticamente na última década, mas ainda está dentro de faixa considerada epidêmica, 11,6 casos por 100 mil habitantes, segundo o governo. "Ninguém contesta os avanços", diz o cientista político Paulo Mesquita, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo. "O problema está em celebrar um fato isolado como se fosse importante."

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