Dalai Lama critica o ´novo budismo´ no primeiro dia no Brasil

O Dalai Lama, principal líder espiritual do budismo, chegou nesta quarta-feira a São Paulo. Deu a primeira entrevista no País à tarde, momentos depois de passar 20 horas no avião que o trouxe da Índia - aos 70 anos e sem o mínimo sinal de cansaço. Ao lado dos recorrentes ensinamentos sobre ?paz?, ?valores humanos? e ?harmonia entre as religiões?, o que mais se ouviu dele foram risadas.Riu do intérprete brasileiro que se perdeu na tradução. Riu dos gravadores dos jornalistas na mesa à sua frente quando ele próprio, chamado o tempo todo de ?sua santidade?, se viu obrigado a virar as fitas. Riu quando teve de consultar o monge que o acompanhava à procura de uma palavra em inglês. Riu do celular que quebrou o silêncio quando respondia a uma das perguntas. E riu ao perceber que se expressaria melhor respondendo em tibetano do que em seu inglês.?Vim ao Brasil por dois motivos. Em primeiro lugar, para falar sobre os valores humanos. Em segundo lugar, para defender a paz entre as religiões?, afirmou ele, que é considerado uma das encarnações de Buda. E, para quebrar o ar solene da entrevista, arrematou: ?E vim também por outro motivo: porque me convidaram?.Coincidentemente, as viagens do Dalai Lama ao País têm ocorrido a cada sete anos - as primeiras foram em 1992 e 1999. Ele passa parte do ano em turnê mundial ensinando sua filosofia. Na entrevista em São Paulo, fez questão de deixar claro que o objetivo não é converter ninguém ao budismo. ?Admiro as diferentes filosofias porque todas têm a mesma mensagem: o amor.?O bem-humorado Dalai Lama só quebrou o tom "paz e amor" ao falar de pessoas que pretendem criar um ?novo budismo?. ?Não dá para pegar um pouco daqui e um pouco dali e jogar tudo no liquidificador?, disse, com gestos de quem escolhe produtos numa prateleira de supermercado. ?É um erro. Você pode pegar o melhor de cada fé, mas deve seguir uma tradição autêntica.?O Dalai Lama é o líder espiritual em exílio do povo tibetano. Ele fugiu para a Índia em 1959, depois que a China comunista assumiu o controle do Tibete. Questionado sobre o fato de o governo chinês negar a autonomia tibetana, preferiu não polemizar: ?Não vim tratar de temas políticos?.O religioso fica no Brasil até a manhã de domingo. Suas palestras já estão esgotadas - é a venda dos ingressos, que custam até R$ 120, que custearam sua viagem. Hoje ele participa de um evento no templo u Lai, em Cotia, cidade da Grande São Paulo.

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