Dançarinas são presas com cocaína em aeroporto no Rio

Duas estrangeiras foram presas em flagrante, na tarde desta segunda, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, quando tentavam embarcar para a França com mais de 20 quilos de cocaína de alto teor de pureza. Às 15h45, agentes da Polícia Federal retiraram a dançarina inglesa Cecilia Maximilia, de 36 anos, e a francesa Jennifer Salagnac, de 20, do vôo 443 da Air France com destino a Paris.Cecilia integra um grupo de dançarinos que se apresenta com o cantor americano Prince e Jennifer disse ser "esteticista", informou a PF. Ambas responderão pelo crime de tráfico internacional de drogas e podem ser condenadas a penas superiores a 20 anos de prisão. Elas seriam recolhidas a um presídio, ainda nesta segunda, após prestarem depoimento.A droga estava distribuída nos fundos falsos de três malas e foi detectada por aparelhos de raio-x. Uma terceira mulher, irmã de Jennifer, também foi retirada do avião, mas como a bagagem não estava registrada em seu nome, oficialmente ela é considerada apenas uma testemunha.Esquema profissionalO delegado-chefe da PF no aeroporto, Mauro Montenegro, disse que a droga estava embalada e escondida de modo "profissional". "A droga foi embalada profissionalmente, inclusive com graxa e vácuo para dificultar a detecção pelo cheiro", contou o policial, que ainda ignorava a procedência do entorpecente.O delegado se mostrou surpreso com a quantidade de cocaína nas malas. "Tem mais de 20 quilos. É uma quantidade enorme. Normalmente, as mulas levam só um quilo", observou. Mula é o termo usado para designar pessoas que transportam drogas. Montenegro disse também que, por já ser muito conhecida e fiscalizada, a rota Rio-Paris tinha caído em desuso no tráfico internacional.À polícia, as acusadas disseram desconhecer a existência da droga que transportavam. Elas alegaram ter ganho as malas como presente de uma pessoa que conheceram na praia. "História da carochinha", avaliou o delegado.TriagemMontenegro definiu as européias como "mulas de alto nível". Ele acredita que a irmã de Jennifer está envolvida no tráfico. "A gente imagina que ela sabia, mas ainda não tem como provar."Com o caso, a Polícia Federal apreendeu 200 quilos de cocaína apenas nos últimos quatro meses. A média anterior era de 180 quilos anuais. A melhora no desempenho é explicada por uma mudança nos métodos de investigação, agora mais seletiva. A polícia analisa as listas de passageiros e escolhe seus alvos previamente.

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