WERTHER SANTANA / ESTADAO
WERTHER SANTANA / ESTADAO

Daniela Mercury arrasta multidão no fechamento do carnaval em SP

Cantora baiana se apresenta na rua da Consolação, no centro da capital paulista

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2019 | 15h10

SÃO PAULO - A cantora Daniela Mercury arrasta uma multidão na rua da Consolação, no centro da capital paulista, neste domingo, 10. O bloco Pipoca da Rainha tradicionalmente encerra a folia no pós-carnaval de São Paulo e levou, segundo os organizadores, 800 mil foliões ao centro de São Paulo. A cantora se apresenta desde às 14h.

E Daniela iniciou a apresentação em tom político. "Está proibido o carnaval neste país tropical", cantava enquanto o público gritava "Ele não", em crítica ao presidente Jair Bolsonaro. Ela também elogiou o carnaval de rua na capital. "Eu ja morei em São Paulo, meu sonho era ver essas ruas coloridas. Hoje eu vejo",  disse.

Saal Alves, de 24 anos, estava com um paletó com notas de dinheiro saindo de todos os bolsos. "Sou o presidente corrupto. Ao contrário do que dizem, o carnaval não é só baderna. É sobretudo uma manifestação cultural e política", disse.

Em todo o bloco, saias e bandeiras do orgulho LGBT e acessórios que celebram a cultura negra estavam presentes. A cantora baiana também exaltou e chamou negros e nordestinos para a folia.

Foliões do Norte ao Sul do Brasil acompanham o último dia de folia na capital paulista. A paranaense Priscila Hemmel, de 38 anos, disse que acompanhou todo o carnaval na cidade, mas guardou energia para o último dia. "Essa festa é uma vez ao ano, não da para perder. E o bloco está ótimo, agitado, mas sem muvuca."

Do Acre, Larissa Paes, de 23 anos, também não quis perder o último dia de carnaval. "A Daniela representa a nossa luta, a luta da resistência. Não é só festa, estar aqui é também um ato político", disse a estudante.

Pela segunda vez Daniela canta a música que compôs com Caetano Veloso. "Abre a porta desse armário que não tem censura", diz a música. Enquanto ela cantava, dançarinos homens vestiam mantos azuis e rosas, em referência à fala da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. 

 

O youtuber Dario Pato, 34 anos, que estava vestido com uma camiseta do homem-aranha e uma tiara de Coelho, disse que não esperava curtir o pós Carnaval, mas os amigos o levaram para o bloco da Pipoca. "Usei todas as minhas fantasias no Carnaval e não tinha mais nada para usar, mas não quis perder o último dia. Vim com o que tinha."

A biomédica Camila Santana, de 34 anos, disse que estava curtindo muito o bloco, mas lamentou a faltade  banheiros químicos. "Uma amiga minha quase não aguentou segurar. Deveria ter mais banheiros em uma festa tão grande", disse.

Por volta das 19h, começou a chover na região. Mas nem isso desanimou os foliões que querem curtir o pós carnaval até o último minuto. Mesmo debaixo de chuva, Daniela continou no trio até as 20h mantendo o Carnaval com músicas de axé. O estoquista Leonardo Bezerra, de 27 anos, disse que o pós carnaval deste ano mostra que São Paulo vai desbancar os grandes Centros da folia nos próximos anos. O engenheiro Leonardo Guimarães, de 37 anos, elogiou a organização da festa."Já passei o Carnaval em Recife e  em Salvador. São Paulo ganha pela infraestrutura", disse. 

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