Washington Alves/Reuters
Washington Alves/Reuters

'Dano humano' em Brumadinho será maior que Mariana, diz presidente da Vale

Em pronunciamento, Fabio Schvartsman diz que havia cerca de 300 profissionais da mineradora no local quando barragem cedeu

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2019 | 20h52

RIO – Cerca de 300 empregados da Vale estavam na prédio administrativo e no restaurante da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, quando a barragem de resíduos do empreendimento se rompeu, informou o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman. Quando assumiu, em 2017,  seu lema era "Mariana nunca mais", em referência a outro grande desastre ocorrido em novembro de 2015. "Dessa vez o dano ambiental será muito menor que em Mariana, mas o humano será maior", disse Schvartsman, recém-chegado de Davos, na Suíça.

Dos 300 funcionários, cerca de 100 já foram localizados com vida, e os outros 200 continuam sendo procurados pelo Corpo de Bombeiros mineiro. "Os mais afetados serão os nossos funcionários", lamentou, lembrando que a barragem fica em uma zona rural, com baixa densidade populacional.

O Complexo de Paraopeba, onde estava localizada a barragem, conta com quatro minas e uma jazida e duas usinas de beneficiamento. O complexo produziu cerca de 7% do volume total produzido pela Vale em 2017, ou 26 milhões de toneladas de minério, segundo informações do site da empresa. Visivelmente abatido, se dizendo "arrasado" com a tragédia, o executivo informou que a barragem que se rompeu, Barragem 1, estava inativa e em processo de desativação.

O ativo também tinha laudo de uma auditoria realizada no ano passado que não detectou nenhum problema que pudesse indicar a possibilidade de rompimento. "O último relatório da auditoria foi feito em 26 de setembro de 2018", informou, referindo-se à auditoria feita pela empresa alemã Tuv Sud.

A barragem tinha 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos da produção de minério de ferro, na maioria terra, segundo o executivo. A produção da Vale não será afetada porque a barragem estava desativada e já não atendia o Complexo de Paraopeba. Uma segunda barragem no local também teria vazado, segundo Schvartsman, mas não provocou danos como a primeira, por ter um material mais seco estocado em sua estrutura.

O executivo não soube informar o motivo do rompimento, que ainda está sendo apurado, mas disse que a Vale vai fazer de tudo para minimizar os danos causados, atendendo as vítimas e seus familiares. Segundo ele, desde Mariana a empresa adotou ações para evitar acidentes como este.

 

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