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‘Daqui irei para o céu’, disse Gularte

Prima e maior autoridade brasileira em Jacarta acompanharam de perto execuções; condenado alternou momentos de lucidez e delírio

O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 22h38

Em seus últimos momentos na prisão indonésia, o brasileiro Rodrigo Gularte alternou momento de lucidez e delírio. Designado pelo Itamaraty para acompanhar a execução, o encarregado de negócios em Jacarta, Leonardo Carvalho Monteiro, maior autoridade brasileira naquele país, relatou à BBC Brasil que as últimas frases, por volta das 4 horas de desta terça, 28, foram: “Daqui irei para o céu e ficarei esperando vocês”.

Prima de Rodrigo Gularte, Angelita Muxfeldt também acompanhou o brasileiro em seus últimos meses na prisão. Ela relatou episódios de lucidez e de confusão do brasileiro - segundo seus defensores, ele tinha relatórios médicos que comprovavam sofrer de esquizofrenia, o que deveria deter a execução da pena capital. 

O paranaense recusou, no sábado, os três últimos pedidos. Anteontem, porém, ele pediu para ser enterrado no Brasil. Inicialmente, estava previsto que Gularte fosse cremado na Indonésia, como outros executados no país.


O último encontro com a prima aconteceu depois que a execução se tornou inevitável, após anúncio oficial feito no sábado. “Ele disse para que eu não chorasse”, afirmou Angelita à imprensa internacional. À TV Globo, ontem pela manhã, disse que o primo estava “tranquilo” e nada foi comentado sobre a execução iminente.

Ela e Monteiro ficaram nesta terça em uma sala próxima do local da execução. O pastor Romu Carolus, que serviu como guia espiritual do brasileiro nos últimos meses, ainda conversou com ele antes da execução. Também ficou encarregado de retirar seus pertences da ilha-prisão de segurança máxima de Nusakambangan, que fica a cerca de 830 quilômetros a sudeste de Jacarta. 

Às 14h35, horário de Brasília, ouviram-se os disparos na ilha. “Foram vários tiros fortes e ao mesmo tempo”, relatou Monteiro à BBC Brasil. Pela lei da Indonésia, após o cumprimento da pena, é feito o reconhecimento do corpo pelos familiares e representantes da embaixada de seu país, no caso de estrangeiros. Só depois se iniciam os trabalhos de traslado do corpo - que deve ser levado para Curitiba.

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