DAS investigará depoimento da suposta testemunha

Detalhes confusos, mas que podem ser verdadeiros, do depoimento do vendedor Fábio Bernardes, preso em Monte Sião (MG) depois de afirmar que sabe quem matou o prefeito Celso Daniel (PT), de Santo André (SP), vão ser investigados a partir de hoje por policiais da Divisão Anti-Seqüestro (DAS) da polícia paulista. O delegado titular do DAS, Wagner Giudice, que ouviu na madrugada de hoje o depoimento de Bernardes em Monte Sião, já informou à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo a decisão de investigar alguns detalhes da história."Giudice afirmou que, embora o depoimento tenha sido confuso e muita coisa aparente ser mera fantasia, numa situação como esta nada deve ser descartado", informou nesta tarde a assessoria de imprensa da Secretaria. O delegado disse ainda que pretende "agir com rapidez" para "comprovar ou descartar o quanto antes" a veracidade de algumas informações de Bernardes.Bernardes foi preso ontem, embriagado e fazendo arruaça em frente ao quartel de Monte Sião. Levado à delegacia ele contou que viveu em Santo André e que, no ano passado, quando participava de um churrasco ouviu quatro moradores das favelas de Sacadura Cabral e Tamarutaca arquitetando o seqüestro. O alvo seria o empresário Sérgio Gomes da Silva, que estava no carro com o prefeito no momento do seqüestro, e o motivo "queima de arquivo". Controvérsia - Os depoimentos de Bernardes à polícia de Monte Sião foram confusos. Passada a bebedeira, ele teria desmentido as primeiras informações, para confirmá-las novamente horas depois. O delegado titular da cidade, Artur Ribeiro da Silva, garante que os depoimentos do vendedor deixaram claro que ele tem conhecimento de várias operações criminosas na região de Santo André.O delegado Fábio de Oliveira, da vizinha de Ouro Fino, também ouviu os depoimentos e afirmou que não acredita em uma única palavra de Bernardes. "Ele tem vários antecedentes criminais por embriaguez e desacato a autoridade", disse Oliveira. "E achou que inventando esta história poderia ganhar a recompensa de R$ 50 mil prometida pelo governo do Estado de São Paulo para quem ajudar a elucidar o crime."A Secretaria de Segurança, que centraliza informações das investigações sobre a morte do prefeito, informou que os detalhes de depoimento que chamaram a atenção de Giudice ainda não podem ser divulgados. "Há nomes de pessoas envolvidas e a divulgação pode atrapalhar as investigações", justificou a assessoria.

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