De acordo com analista, segundo turno ainda é possível

O cientista político Murilo Aragão, da Arko Advice, afirmou que o crescimento do candidato tucano, Geraldo Alckmin, nas últimas pesquisas de intenção de votos mostra que a ocorrência de um segundo turno na campanha presidencial ainda é possível.Entretanto, para Aragão, a candidatura Alckmin "ainda respira por aparelhos" e o candidato tem uma árdua tarefa pela frente se quiser enfrentar o presidente da República num segundo turno. "A verdade é que, em 11 dias ele (Alckmin) cresceu 5 pontos, o que mostra que a candidatura ainda pode ressuscitar. Mas isso também significa que ele ainda tem que crescer 5 a 6 pontos para chegar no segundo turno, o que não é fácil", diz.Segundo as projeções do cientista político, Alckmin terá que chegar a 30% nas intenções de votos até o próximo fim de semana para garantir um segundo turno. "Se isso não acontecer fica muito difícil."Para Aragão, o crescimento de Alckmin se deve, primordialmente, aos ataques que tem desferido contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estratégia que foi evitada até o último momento pelo candidato. "Claramente, o fato de ele estar batendo mais elevou seu porcentual, o que demonstra os erros cometidos pela sua campanha", avalia.O cientista ainda ressalta que, para conseguir o segundo turno, Alckmin precisará investir todas as suas fichas nos eleitores que já demonstraram ter mais inclinação para votar nele, ou seja, os residentes das regiões Sul e Sudeste, com renda elevada. "Não há mais tempo para tentar conquistar o eleitor de mais baixa renda. Os 5%, 6% que ele precisa serão conseguidos onde ele já cresceu."Ainda segundo Aragão, o crescimento do tucano nas faixas mais altas de renda pode ser explicado também por erros cometidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como no caso da comparação que fez entre seus adversários políticos e o genocida Adolf Hitler. "O Lula cometeu erros nessas últimas semanas, como o não comparecimento aos debates e a elevação do tom do discurso. Ele esquentou o debate acima do necessário", diz, ressaltando que esses fatos incidem principalmente sobre a avaliação dos eleitores de maior renda e escolaridade superior. "O eleitor de baixa renda, talvez, nem saiba bem quem foi Hitler. Mas, para os mais escolarizados, essa comparação afeta a imagem do presidente", afirmaPara Aragão, o presidente da República parece ter atingido a estabilidade, que não necessariamente enseja um maior potencial de perda de votos. "Eu diria que ele está num patamar estável e não tem condições de crescer muito mais. Mas já conquistou bastante, como a questão do Nordeste, que já está fechada", explica.Já candidata do PSOL, Heloísa Helena, na visão de Aragão, não tem condições de apresentar um crescimento expressivo e deve ficar estacionada ao redor de 9%. "Ela perdeu parte do seu elã quando exagerou nos ataques, mas ainda pode crescer de 2% a 3% na reta final da campanha, ajudando assim a chegada de Alckmin no segundo turno", finaliza.

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