De bike e a nado, resgate dramático

Militar venceu a correnteza para salvar duas crianças

, O Estadao de S.Paulo

04 de dezembro de 2008 | 00h00

Alex Citadin estava numa festa, no Distrito do Garcia, em Blumenau, na noite do dia 22 de novembro. O celular do médico e segundo-tenente de 26 anos começou a tocar pouco depois das 23h30. A ligação era de Curitiba (PR). Os comandantes do Exército em Blumenau estavam no Estado vizinho quando foram acionados pela Defesa Civil por causa das fortes chuvas. Alex recebeu a missão: "Você tem condições de pedir que o batalhão fique de prontidão?" Sim, tinha.O jovem foi para casa trocar de roupa. O terno e a gravata precisam dar lugar à farda. De carro, testemunhou os primeiros sinais da tragédia. "Vi postes caídos e fios de alta tensão chicoteando o chão. A água chegou à porta do carro."Em 10 minutos, estava de volta à portaria. Viu a lama tomando conta. Com os vizinhos, conseguiu uma bicicleta e pedalou mais de 10 km até o Batalhão de Infantaria. Debaixo de chuva forte, caiu três vezes da bicicleta. Passada a ordem aos colegas, a nova tarefa era sair para resgatar pessoas. Perto do Clube Centenário, no Garcia, Alex conta que quase se afogou tentando vencer a correnteza. "Como as ruas estavam tomadas pela água, tive de nadar entre dois hospitais."De lá, partiu para uma casa que estava se destruindo às margens do Rio Itajaí-Açu. "Primeiro salvei um menino de 8 anos. A mãe não queria largar o outro filho, mas não dava para salvar os dois ao mesmo tempo. Então, ela me passou o bebê, de uns 10 meses", conta. Alex protegeu a criança. "Ao chegar a um ponto de segurança, vi a casa desmoronar. Não tive mais notícias da mãe."

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