De cada 10 brasileiras, 3 já sofreram violência sexual

Esse é um dos dados alarmantes do relatório sobre violência contra a mulher elaborado pela Cepal

Clarissa Thomé, do Estadão,

26 de novembro de 2007 | 19h58

De cada dez brasileiras, com mais de 15 anos, três já sofreram violência física extrema. Esse é um dos dados alarmantes do relatório sobre violência contra a mulher, elaborado pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e divulgado no domingo, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher. O trabalho Basta! O Direito de Viver uma Vida sem Violência na América Latina e Caribe mostra que os principais agressores são os parceiros das vítimas. Além da violência física, elas sofrem ainda com violência sexual, emocional e econômica. E isso ocorre em todas as classes sociais e graus de instrução - o texto informa que as principais vítimas são aquelas que completaram apenas o antigo primeiro grau, com exceção do Peru, onde aquelas que completaram o segundo grau sofrem mais violências. "Há um traço sócio-cultural que legitima essa violência e se reflete na desigualdade de poder na relação de gênero. O desequilíbrio de poder nas relações é muito grande e, em geral, é exercido pelo homem", afirma Júnia Puglia, vice-diretora do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), que lançou o relatório no Rio de Janeiro. Esse desequilíbrio de poder, acredita Júnia, está por trás de situações como a da adolescente no Pará, que foi mantida por 20 dias numa carceragem com homens e sofreu sucessivos abusos sexuais. "Para mudar essa situação é preciso haver uma trabalho de transformação da sociedade", afirma. Júnia ressalta a grande dificuldade que os pesquisadores tiveram para encontrar "dados nacionais abrangentes e confiáveis" a respeito da violência contra a mulher. Numa das poucos informações sobre o Brasil, o relatório cita pesquisa feita em 2001 pela Fundação Perseo Abramo com 2.502 mulheres, segundo a qual uma em cada cinco entrevistadas havia declarado ter sido vítima de violência.  "O Brasil tomou a providência importante de ampliar recursos para a promoção da eqüidade de gênero, inclusive para a produção de dados e estatísticas", destacou Júnia. Entre as princiapais dificuldades encontradas pelos pesquisadores no Brasil estão escassez de recursos, financiamentos insuficientes, interrupção dos programas e falta de mecanismos de avaliação dos planos e programas implantados. O relatório mostra ainda que 90% dos latino-americanos consultados consideram a violência intrafamiliar um problema importante. "Esse é o discurso, mas está muito distante da realidade", afirma Júnia. O documento foi divulgado no Canequinho (anexo à casa de shows Canecão), na zona sul. Também foi realizado o show "Por uma vida sem violência".

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