De ex-BBB a delegado, vale tudo

Não é só o PSB que está de olho nos puxadores de voto. No Rio, o PSOL vai lançar o escritor Jean Willys, vencedor do reality show Big Brother Brasil em 2005. O cantor Marcelo Yuka, do Rappa, é outro que deve disputar uma vaga na Câmara pela legenda.

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

"São figuras que não têm trajetória política, mas têm grande popularidade e que vão ajudar a eleger outros deputados", resume Chico Alencar (PSOL-RJ). Sem aliança com nenhuma grande legenda, o PSOL precisará de pelo menos 120 mil votos para eleger um deputado federal.

O PC do B é outro que vai investir em "iscas eleitorais" para tentar conquistar mais cadeiras no Congresso. Os comunistas pretendem lançar o cantor e apresentador Netinho de Paula ao Senado por São Paulo. A cantora Lecy Brandão também deverá entrar na corrida eleitoral, mas por uma vaga na Câmara. O delegado Protógenes Queiróz vai disputar uma cadeira de deputado federal pelo PC do B paulistano.

Iscas tradicionais. A estratégia dos partidos de lançar mão de "iscas eleitorais" para aumentar suas bancadas não é uma novidade. Foi com base na votação estrondosa de 1.573.642 votos do ex-deputado Enéas Carneiro, em 2002, que o minúsculo Prona elegeu cinco deputados federais por São Paulo - três deles, tiveram menos de mil votos.

Paulo Maluf (PP), ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, é outro notório puxador de votos. Nas eleições de 2006, ele obteve 739.827 votos. Seu colega de partido, o deputado Celso Russomanno também teve uma votação expressiva: foram 573.524 votos. Conclusão: ambos elegeram a deputada Aline Corrêa, filha do ex-presidente do PP Pedro Correa, com apenas 11.132 votos.

Sem estrela. Como o PT não tem grandes puxadores de voto, mas uma dezena de deputados com uma votação média alta, os deputados da base aliada têm mais dificuldades em se eleger. "O PT tem todo mundo disputando na mesma faixa, o que torna a eleição mais difícil", observa Márcio França, presidente do PSB paulista. "A última vez que o PT teve puxador de voto foi em 1986, quando o Lula se elegeu para a Câmara", lembra o deputado José Genoino (PT-SP).

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