De fretado para carro dividido: R$ 200 a mais

Quem mora no interior faz as contas para evitar baldeação

Diego Zanchetta, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

As restrições para os fretados, que entram em vigor no dia 27, já causam movimentação entre funcionários de empresas de São Paulo que moram em cidades vizinhas. Para fugir das baldeações em estações do Metrô e em terminais de ônibus, executivos de Campinas e de Jundiaí começaram a planejar a "lotação" de seus carros pessoais dentro de escritórios. Na ponta do lápis, quem hoje mora nessas duas cidades, por exemplo, e gasta em média R$ 390 por mês com fretado, vai desembolsar cerca de R$ 600 se dividir o uso do carro com outros dois amigos - se o veículo for a álcool. Gerente de investimentos de um banco na Avenida Paulista, Bruno Mastrocolla, de 27 anos, estuda a opção de dividir o carro, assim como outros colegas de escritório. Ele mora em Jundiaí e terá de descer no bolsão da Estação da Vila Madalena. "Apesar do desgaste de dirigir, tem muita gente já planejando dividir o carro com outros dois colegas. Está todo mundo fazendo as contas", afirmou o gerente, que acorda às 6h e chega em casa sempre depois das 19h. "Se eu fizer a baldeação, meu gasto passa de R$ 390 para R$ 474. Com o carro dividido com os amigos, o valor sobe para R$ 600", calcula. Para quem faz ida e volta para Campinas, o gasto de quatro pedágios, de R$ 6,10 cada (R$ 24,40 no total), tem de ser embutido na divisão. No caso de Jundiaí, são dois pedágios. "No meu ônibus o pessoal já está se dividindo em carros particulares. Eu ainda estou pensando. Trabalho na Rua Boa Vista, não sei se vamos fazer a baldeação na Barra Funda ou perto do Mercadão", diz Antonio Domingo, de 59 anos, analista financeiro da CPTM. Há 15 anos, Domingo faz o bate-e-volta diário de 180 quilômetros. "Saio de casa às 5h35 e chego sempre entre 20h e 20h30. Com a baldeação, vou chegar em casa às 21h. Na minha opinião, o sistema não vai suportar a nova demanda de usuários." Já Lair Bini Cano, de 45 anos, executivo de contas de uma agência de publicidade da Alameda Santos, morador em Jundiaí, não tem dúvidas de que o carro dividido com os amigos será a melhor opção. "Eu já gasto quase R$ 400 de ônibus. Entre gastar R$ 500 tendo de pegar metrô e gastar R$ 600 com o conforto do carro, sou mais a segunda opção", diz Cano, usuário do mesmo fretado há 22 anos. "Só não dá para dividir o carro em quatro, porque aí fica muito desconfortável, tem de ser no máximo em três pessoas. A conta fecha em R$ 552 para cada um. Vou pegar o pessoal no trevo na Via Anhanguera", concluiu o executivo. PROTESTO Jorge Miguel dos Santos, presidente do Transfetur (sindicato dos fretados), diz que o uso do carro é uma tendência irreversível entre quem terá de descer nos bolsões. "As pessoas se conhecem dentro do fretado, muitas trabalham na mesma empresa. Esse compartilhamento que já existe no cotidiano facilita a divisão do carro pessoal. É o que estamos vendo", reclama o sindicalista. Nos últimos dias, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) não descartou a possibilidade de "aperfeiçoamento" na legislação. O governo está recebendo sugestões de usuários de fretados para possíveis mudanças. O Executivo, contudo, informou não existir a possibilidade de flexibilização nas regras.

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