De luto, traficantes mandam fechar comércio e escolas no Rio

Comércio fechado, escolas sem aulas. As lojas da rua Conde de Bonfim ? principal via da Tijuca, na zona norte da cidade ? próximas ao morro da Formiga não abriram nesta sexta-feira por ordem de traficantes de drogas. Comerciantes ouvidos pela Agência Estado confirmaram que foi determinado luto pela morte do traficante Ricardo Vítor dos Santos, o Cuco, que morreu quinta-feira durante operação policial na favela de Vigário Geral, juntamente com Maurício de Lima Matias, o Boizinho, um dos quatro acusados do assassinato do jornalista Tim Lopes.De acordo com a polícia, os dois traficantes pertenciam à facção criminosa Comando Vermelho (CV). Acusado de chefiar a venda de drogas nos morros da Formiga e do Borel, Cuco era apontado como o segundo homem na hierarquia do CV, atrás de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, principal acusado da morte do jornalista.Em cinco quarteirões da Conde de Bonfim, pelo menos 28 estabelecimentos comerciais e até uma igreja estavam fechados ao meio-dia ? entre eles, lojas de calçados, bazares, uma editora, uma serralheria, bares, uma padaria, uma loja de artigos veterinário, uma distribuidora de bebidas e a Igreja Presbiteriana da Muda.?Eles (os traficantes) avisaram para fechar. Ninguém é maluco de abrir?, disse um comerciante, que atendia clientes na calçada. ?Não sei de nada?, disse outro comerciante, que resolver abrir por volta das 13 horas, após o enterro de Cuco.Na rua São Miguel, próxima à entrada do Morro do Borel, foi colocada uma bandeira preta em cima de uma passarela, simbolizando luto pela morte do criminoso, que foi sepultado em Irajá. Moradores da favela foram levados em seis ônibus para o cemitério. Alunos da escola municipal Barão de Itacuruçá, na Tijuca, voltaram para casa dizendo que as aulas foram canceladas por ordem ?do movimento?.O Ministério Público pediu nesta sexta-feira a prisão preventiva dos nove acusados do assassinato de Tim Lopes ? além de Elias Maluco, estão foragidos os traficantes Renato Souza de Paula, o Ratinho, e André da Cruz Barbosa, o Capeta. Boizinho foi morto e já estavam presos temporariamente Claudino dos Santos Coelho, Eliseu Felício de Souza, Ângelo Ferreira da Silva, Reinaldo do Amaral de Jesus e Fernando Sátiro da Silva.O chefe de Polícia Civil, delegado Zaqueu Teixeira, disse que o inquérito com as investigações sobre a morte do jornalista, que havia sido entregue ao MP, está completo, com provas de autoria do crime. Teixeira disse que o único erro do inspetor Daniel Gomes, que era responsável pelo caso e acabou sendo afastado, foi emitir opinião pessoal no inquérito. Ele disse que o inspetor é um ?bom investigador, mas é inocente e viaja muito?.O corregedor-geral de Segurança Pública, Aldnei Peixoto, ouviu hoje Gomes e o delegado Sérgio Falante, exonerado da 22ª Delegacia de Polícia. ?O que me espanta nesse caso, que é emblemático, é que só faltou dizer que o Tim Lopes se suicidou?, disse o corregedor, referindo-se às observações feitas por Gomes em relatório do inquérito.O delegado disse que o trecho em que o inspetor faz observações sobre Lopes ?passou despercebido, mas é insignificante para o inquérito?. Gomes negou que tenha feito observações pessoais, disse que o inquérito mostra a ?verdade dos fatos? e também negou que tenha sido informante do jornalista.O inquérito só será devolvido à polícia, como defende a governadora Benedita da Silva (PT), se a promotora Viviane Tavares Henriques, encarregada do caso, achar que são necessárias novas diligências. Nesse caso, quem assume a investigação é o titular da Delegacia de Homicídios, Paulo Passos.

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