De São Paulo a Santos: 37 horas, em abril de 1908

Assim que chegou a São Paulo, o conde francês anunciou que queria mais: iria tentar, já nos próximos dias, viajar até Santos de carro. Mas outro grupo antecipou a viagem, aproveitando que o Brassier de Lesdain precisava de consertos, por causa do desgaste sofrido entre Rio de Janeiro e São Paulo. Quatro dias após a chegada do conde francês à capital, em 16 de abril de 1908, os irmãos Paulo Prado e Antônio Prado Júnior (filhos do então prefeito de São Paulo e amigos de Washington Luís), o major Bento Canavarro, o engenheiro Clóvis Glicério, dois mecânicos e o repórter do Estado Mário Sérgio Cardim deixam o Parque Antártica, às 6h30, a bordo de dois carros: um Motobloc, de 30 cv, e um Sizaire et Naudin (12 cv) de propriedade de Glicério. Rumo à Estrada do Vergueiro, o antigo caminho das carruagens, Paulo Prado desistiu da viagem poucas horas depois de entrar na mata fechada, fazendo meia-volta ainda no alto da Serra do Mar. Apenas o Motobloc concluiu a viagem, levando Antonio Prado Júnior, Glicério, Canavarro e Cardim. O veículo chegou em Cubatão às 17h30 do dia 17 de abril. Poucas horas depois, estavam em Santos. A primeira viagem de carro de São Paulo durou 37 horas. Por contar com participantes mais influentes e se tratar de um trecho mais estratégico economicamente, na época, a viagem a Santos é considerada o marco zero do desenvolvimento rodoviário no Brasil. Esse foi um dos motivos que incentivaram o jornalista Sergio Willians escrever o livro Pelas Curvas das Estradas de Santos (Editora Realejo, 352 páginas, R$ 45), que conta a história dos caminhos da Serra do Mar desde o Descobrimento. O lançamento do livro ocorreu ontem, durante a festa de encerramento do evento comemorativo aos 100 anos da primeira viagem de automóvel de São Paulo, na Casa da Frontaria Azulejada, em Santos.

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