Deas não acredita em motivação política em seqüestro

O delegado Wagner Giudice, da Delegacia Anti-Seqüestro (Deas), acredita que "são remotas" as possibilidades de motivação política no seqüestro do publicitário Wagner Olivetto. Giudice, que comanda as investigações e ouviu, "por muitas horas", os seqüestradores desde que eles foram presos, sexta-feira, afirmou hoje que os depoimentos "são confusos e contraditórios"."Em alguns momentos eles tentam dar conotação política para a ação, mas logo se contradizem e falam muito do dinheiro que iriam ganhar com o resgate", avaliou o delegado. Para Giudice, os seqüestradores deverão tentar mostrar que agiam politicamente. "Isso dá uma certa aura, os torna mais simpáticos e eles podem até tentar obter vantagens durante o inquérito. Mas só aceitaremos a hipótese de motivação política se encontrarmos provas disso", afirmou.Giudice argumentou que o fato do chefe do grupo, Maurício Hernandez Norambuena, ter sido condenado por ações terroristas no Chile não oferece nenhuma prova de ação política no seqüestro de Olivetto. "O mais provável é que tenha usado a tecnologia adquirida com grupos de luta armada, para ganhar algum dinheiro", acredita o delegado.A favor de sua hipótese, Giudice invocou as investigações recentes dos órgãos de inteligência que agem na América Latina. "Não há nenhuma notícia de grupos de luta armada em ação no Continente. As Farc (Forças Armadas Revolucionarias Colombianas) são outra vertente, com outros métodos", disse ele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.