Debate ainda é o melhor remédio

Quem se saiu melhor no debate - eis a questão, cuja resposta depende do critério usado para o julgamento.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

No quesito figura mais vistosa em cena Dilma Roussef venceu, bem como Plínio de Arruda Sampaio arrebatou primeiro lugar em matéria de desenvoltura, Marina Silva confirmou-se imbatível em elegância de expressão verbal, mas José Serra foi de longe o mais "presidente", com domínio absoluto sobre o conteúdo dos assuntos debatidos e a forma de apresentá-los.

Não há sequer termos de comparação, é a constatação do óbvio até pelas diferenças de carreira, trajetória e experiência entre os quatro concorrentes à Presidência da República.

Ocorre que para ganhar eleição não basta ser o melhor, é preciso conquistar o racional e tocar no emocional das pessoas para convencê-las de que será capaz de ser o melhor para elas. Isso nem sempre guarda relação com atributos de qualificação.

No último debate de 2002, por exemplo, era evidente a superioridade qualitativa de José Serra sobre Luiz Inácio da Silva. Mas o eleitor queria votar em Lula e dali a dois dias assim o fez de acordo com a percepção de que encarnava seus desejos naquele momento.

E agora, qual é essa demanda, continuidade? Serra não desmontou o atual governo, mas apontou falhas de procedimentos importantes, enquanto Dilma puxou para si as realizações entendidas como positivas. O problema é que para explicar isso usava termos como "oligopolizados" e "spread" sem explicar do que se tratava.

O importante no debate da Band foi que houve o encontro face a face entre os candidatos e isso se deu de maneira civilizada e até proveitosa não obstante as regras que buscam evitar a possibilidade de imprevistos.

O debate entre candidatos ainda é o que melhor há na campanha para o cotejo do eleitorado e a exclusão de nanicos sem representação no Congresso, indispensável ao andamento dos trabalhos.

Dilma sobreviveu e saiu com uma vantagem: nos próximos três até a eleição só pode melhorar, tantos foram os erros de desempenho.

Nervosa, insegura, começou olhando durante sete segundos para a câmera sem perceber que deveria começar a falar, ficou quase de costas para o telespectador, não conseguiu dizer o que precisava no tempo regulamentar, foi prolixa, "numérica" em excesso e o sorriso confiante que a abandonou no segundo bloco não voltou a aparecer. Bem vestida, penteada e maquiada, mas antipática, sobressaltada e fora d"água.

Plínio foi o tempero que dá gosto e Marina não tem bossa suficiente para fazer o papel de coqueluche. O candidato do PSOL pode tomar o lugar dela na preferência dos alternativos e, infelizmente para Lula, é mais duro com o governo que todos os caciques e índios da oposição juntos porque fala com autoridade _ "quem fez o programa de reforma agrária do Lula fui eu" _ de petista de raiz.

É COLUNISTA DO "ESTADO"

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