Debate dá expectativas opostas para candidatos

Equipe de Serra prevê que impacto do confronto de quinta-feira na TV será 'próximo de zero'; petistas veem chance para Dilma mostrar que tem preparo

Christiane Samarco, João Domingos, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

As campanhas dos candidatos à Presidência José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) têm expectativas muito diferentes para o debate na Rede Bandeirantes, na quinta-feira, o primeiro das eleições deste ano. Um tucano próximo de Serra, por exemplo, acha que o impacto do confronto ficará "próximo de zero".

Os coordenadores da campanha de Dilma, pelo contrário, acreditam que o debate em rede nacional será importante para mostrar a cara da ex-ministra ao eleitor antes do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV e, ao mesmo tempo, "exibir preparo para governar".

Os outros debatedores ? Marina Silva (PV) e Plínio Arruda Sampaio (PSOL) ? querem tirar o máximo de proveito do debate, seja para se mostrarem ao público, seja para não deixar que Serra e Dilma monopolizem a atenção. Ambos pretendem dizer que eles, sim, representam mudanças e não os dois favoritos.

De acordo com o interlocutor de Serra, a expectativa do PSDB é muito baixa em relação ao debate da Band porque a direção da campanha avalia que o "roteiro" feito para o programa "protege demais" a petista.

Isso porque, segundo o tucanato, por imposição da assessoria da campanha de Dilma, as regras definidas para o debate criaram um ambiente de "segurança" para a petista. A avaliação é de que nesse cenário não haverá espaço para Serra surpreender a ex-ministra da Casa Civil.

Dilma Rousseff, de acordo com sua assessoria, não buscará proteção alguma. Vai mostrar que é "boa de debate", pois ao longo dos últimos sete anos e quatro meses no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o que mais fez foi enfrentar "pedreiras" e sempre se deu bem.

Visões antagônicas à parte, os dois favoritos vão se preparar bem para o confronto. Serra, por exemplo, fará hoje uma caminhada pelo bairro da Liberdade ? onde está a maior comunidade de origem japonesa do País ? e depois vai se recolher. Se dedicará à leitura, a pesquisas na internet sobre temas que estão em evidência e em contato com a equipe mais próxima.

Dilma fará tudo igualzinho. Terá hoje ao meio-dia um encontro com os dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no Rio, voltará a Brasília e se trancará nos próximos dois dias. Nesse período, estudará com atenção a papelada que recebeu dos diversos ministérios com dados do governo e continuará suas lições com um fonoaudiólogo.

O primeiro debate entre os candidatos servirá também para que eles possam conhecer um ao outro, numa espécie de partida preliminar do campeonato que será decidido a partir de 3 de outubro. Mais do que a eles, porém, caberá aos marqueteiros e estrategistas de campanha verificar eventuais pontos fracos num e noutro e dificuldades de raciocínio rápido.

As equipes dos candidatos ? e eles também ? sabem que aquele que falar a linguagem mais simples e de maior possibilidade de compreensão para o eleitor sairá na frente nos confrontos, o que poderá ser convertido em votos fechados logo em seguida.

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