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Debate: Pílula do dia seguinte contra aids não estimula sexo sem proteção?

Presidentes do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (Gapa) e da Sociedade Brasileira de Infectologia têm opiniões diferentes

O Estado de S. Paulo

29 Maio 2015 | 03h00

Sim

Áurea Abbade é presidente do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (Gapa)

Se ela vier sem explicação e sem informação, vai banalizar. A prevenção tem de vir antes, mas as campanhas não têm existido. Na juventude de hoje, que faz sexo e se droga, 90% não usam o preservativo e acreditam que o remédio está aí para isso. A medida, isolada, não vai ter resultado, precisa de uma campanha governamental para conscientização principalmente do jovem, que não tem o conhecimento sobre o que é o HIV. Ele não vê a pessoa com HIV na televisão. Nas décadas de 1980 e 1990, os jovens viam as pessoas definhando. Hoje, as pessoas tomam a medicação e vão para a rua. Tem de batalhar pela prevenção e informar sempre. 

Não

Érico Arruda é presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia

Já existem estudos de comportamento avaliando essa intervenção e nenhum deles mostrou que as pessoas aumentavam sua exposição ao sexo desprotegido. A pessoa recebe cuidado, orientações e o remédio para evitar a contaminação após o sexo desprotegido. Tem pessoas que não conseguem se proteger de outra maneira, como usando o preservativo. A estratégia não é um fator de maior exposição, é uma possibilidade. Ainda existe estigma para essas pessoas falarem sua situação de relação desprotegida, mas há um diálogo para que os profissionais tenham uma postura mais receptiva e acolhedora para receber as demandas.

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