JF Diorio/AE
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Debate religioso não afeta Estado laico, diz tucano

Serra disse que questão foi trazida pela 'sociedade' e negou que debate em torno do tema seja estratégia eleitoral

Julia Duailibi ENVIADA ESPECIAL APARECIDA, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2010 | 00h00

APARECIDA

Em visita à Basílica de Aparecida, ontem, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, negou que haja uma "banalização" do debate sobre religiosidade no Brasil em razão das eleições presidenciais.

"Essa é uma questão que foi introduzida pelas pessoas, não pelos partidos nem pelos candidatos. Numa campanha, os candidatos apresentam o que fizeram e sua visão de mundo, e as pessoas vão se interessando. Os valores acabam aparecendo também", disse ele, que participou da missa ao lado da mulher, Monica.

Durante a missa na basílica, que reuniu mais de 35 mil pessoas, segundo a organização, foram distribuídos os textos produzidos em agosto pela comissão representativa do Conselho Episcopal Regional Sul, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com críticas ao governo e aos candidatos que apoiam o aborto. O documento elencava ações propostas pelo governo no passado rumo à descriminalização do aborto e recomenda o voto em candidatos e partidos que são contra a prática.

Para o presidenciável, o tema da religião, mais presente nesta eleição que nas disputas anteriores, aparece no debate não por causa de uma "estratégia" eleitoral, "mas porque o Brasil coloca essa questão". Serra disse não haver "nada de estranho" em discutir a questão da religiosidade na eleição. Também afirmou que o assunto não "macula" o Estado brasileiro, que é laico.

No dia seguinte à ida da adversária Dilma Rousseff (PT) à basílica, o tucano comungou. Numa menção tácita à questão do aborto, defendeu a infância, falou sobre o seu programa para gestantes, o Mãe Brasileira, e chegou a dizer: "Cada coraçãozinho novo que bate no Brasil a cada dia é uma esperança que se renova".

Também criticou o Plano Nacional de Direitos Humanos proposto pelo governo. "É uma coleção de absurdos", afirmou, citando a restrição ao uso de imagens religiosas em repartições públicas. "Se já tem uma imagem, por que tirar?", questionou.

Direitos humanos. Depois, mencionou a forma como o tema fora tratado no plano. "Se a questão do aborto faz parte dos direitos humanos, e você for contra, você está restringindo os direitos humanos", criticou. Serra também foi questionado por um jornalista, que se disse argentino, sobre o passado de Dilma.

O tucano afirmou: "Não cabe a mim ficar perscrutando a vida de um candidato". E completou: "Me preocupo mais com o que pensa e com o que diz e propõe para amanhã".

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