Debate vira duelo entre SP e Brasil

Na plateia

Adriana Carranca, Malu Delgado e Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

O ritmo quase monocórdio do debate dos candidatos ao governo de São Paulo, no palco da Rede Bandeirantes, destoava da guerra de torcidas na plateia, liderada por dois grandes grupos - tucanos e petistas - que, respectivamente, referiam-se ao evento como complô contra o PSDB ou como o retrato da solidão de um partido que governa o Estado por 16 anos.

O bombardeio de todos os candidatos contra Geraldo Alckmin (PSDB) deixou tucanos e seus aliados em estado de choque, ainda que o script fosse previsto. A briga estadual refletiu o duelo entre os dois partidos no campo nacional, evocando comparações entre os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso, feitas por Aloizio Mercadante (PT) e contestadas por Alckmin.

Temas como privatizações, investimentos em rodovias federais, destinação de dinheiro do SUS, proteção das fronteiras do País e até a invasão dos produtos chineses do país foram temas do debate sobre... São Paulo.

O presidenciável José Serra (PSDB) deixou o estúdio no intervalo entre o 2º e 3º blocos, por volta das 23h, demonstrando irritação. "Os números estão todos errados. Tudo muito errado."

Pouco antes, segundo tucanos, Serra havia mandado um bilhete a Felipe Soutello, um assessor político e técnico que acompanhava Alckmin do palco. Alckmin denunciou a "manipulação equivocada e sem fim" de estatísticas. "É um grupo de medíocres", vociferava o governador Alberto Goldman (PSDB). "Todos tentando atacar um só." Ex-ministro de FHC e atual secretário de Educação do Estado, Paulo Renato era outro indignado: "É um oportunismo que revolta. O Mercadante bate na progressão continuada, que foi ideia do Paulo Freire, implementada no governo Erundina."

"Todos estão tentando tirar votos do Alckmin e chegar ao segundo turno", disse o presidente do PT-SP, Edinho Silva, que comemorou a polarização.

Paulo Skaf (PSB) e Celso Russno (PP) tentaram se viabilizar como terceira via. Paulo Bufalo (PSOL) tentou imitar o presidenciável Plínio de Arruda e também deixou a marca do humor. Fábio Feldman (PV) pegou leve com Alckmin, elogiando a iniciativa do governo tucano de limitar emissão de gases causadores do efeito estufa.

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