Debatedores chamam atenção para eleições municipais de 2012

Para a maioria dos participantes, problemas com corrupção eleitoral têm início na disputa local pelas prefeituras

, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2010 | 00h00

Além do ficha limpa e das grandes questões nacionais, os representantes das ONGs presentes ao evento concordaram que é preciso investir nas eleições nos municípios, nas quais, no entender da maioria, se iniciam os problemas com corrupção eleitoral.

"Eu estou esperando ansiosamente as eleições de 2012. Esta sim vai fazer diferença. A vida se passa nas cidades. A Amarribo tem feito esta ligação entre as pessoas inconformadas e indignadas nas pequenas e médias cidades. Temos um kit com 50 arquivos que é enviado para as ONGs locais da nossa rede de 190 entidades, no sentido de qualificá-las para fiscalizar o poder público municipal", disse Jorge Sanchéz.

Claudio Abramo, por sua vez, defendeu a tese de que, para além de uma questão cultural, a corrupção tem raízes econômicas, centradas nas relações políticas. "Oitenta por cento dos municípios brasileiros dependem de repasses do governo federal para sobreviver e todo mundo depende da prefeitura. Não há o contraditório local."

Chico Whitaker concordou. "O problema é que tudo isso é uma rede de compromissos, de cumplicidade. Cansamos de ouvir as pessoas dizerem que "no meu município, o cara entrou na política pobre e saiu rico". O Legislativo é importantíssimo porque o prefeito não pode fazer nada sem a autorização dos vereadores, e se eles se vendem ao Executivo a situação fica muito difícil."

Maurício Broinizi, por sua vez, lembrou que, graças à Constituição de 1988, as cidades assumiram um papel bem mais importante que em outras épocas da história do País. "A Constituição transferiu para os municípios um conjunto de responsabilidades e recursos bem maiores que antigamente. Como a base do mau uso do dinheiro público ocorre nas cidades , acredito que é fundamental que a gente coloque este debate em todas as esferas", afirmou.

Partidos. Além de pressionar os próprios candidatos a cargos públicos no sentido de impedir a candidatura dos chamados fichas-sujas, as entidades consideram importante que os partidos também sejam forçados a recusar candidaturas de pretendentes com problemas na Justiça.

Abramo defendeu a tese de que a política a está invadida por aventureiros. " Os partidos políticos, responsáveis pela escolha dos candidatos, também precisam ser fiscalizados para evitar problemas com fichas-sujas."

Whitaker fez discurso semelhante. "Poderíamos dizer aos candidatos que mesmo que ele não seja ficha-suja, pode estar sendo apoiado por uma rede na qual há corrupção".

Rosângela Giembinsky acrescentou que há desproporção entre o número de cidadãos em geral e políticos processados no País. " Dez por cento, das pessoas respondem a ações judiciais. No Congresso, esse número é duas vezes maior." / M.A.

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