Debates são aposta para superar pouca estrutura

Ciente da polarização entre Dilma e Serra, bem como do poder das campanhas rivais, PV avalia que carisma de Marina pode compensar pouco espaço na TV

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h00

Com 1 minuto e 6 segundos no horário eleitoral gratuito e poucas perspectivas de recursos, a candidata verde à Presidência, Marina Silva, concentra sua estratégia de comunicação em debates, sabatinas e entrevistas. Consciente da polarização na corrida presidencial, o PV aposta no carisma da candidata para compensar a estrutura partidária modesta.

Paulo de Tarso é o responsável pela comunicação da campanha. Ele trabalhou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1989 e 1994. O contrato já foi fechado e deverá ser anunciado nos próximos dias - segundo a assessoria de Marina, com valores "modestos", bem abaixo dos negociados pelo PT e PSDB.

Tempo. A candidata insiste em que o papel de Tarso na campanha não será o de "marqueteiro tradicional". É ele quem tem preparado Marina para aparições públicas recentes, como o discurso na convenção de ontem do PV e a sabatina da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em maio. Ele garante que as falas são escritas pela própria candidata.

"Ela nos ouve, mas toma as próprias decisões", conta Tarso. "A Marina é a candidata mais carismática. O grande problema é realmente o tempo de TV."

Para evitar a disputa de espaço na mídia com os adversários do PSDB, José Serra, e do PT, Dilma Rousseff, a presidenciável do PV tem preferido assumir compromissos públicos nos dias em que os dois favoritos estejam fora da ribalta. Marina aproveitou o feriado de Corpus Christi, por exemplo, para anunciar a sua política social. Ela também optou por lançar oficialmente a sua candidatura antes das convenções do tucano e da petista.

Outra estratégia da campanha verde é garantir um bom desempenho nos debates. Marina treina, desde já, para essas ocasiões. "É uma prioridade", diz Tarso. "Enquanto para os outros candidatos esse é só mais um recurso, a gente se dedica a isso full time."

Nas últimas semanas, a candidata tem preferido reuniões com lideranças próximas à campanha a compromissos públicos. Depois de viajar intensamente pelo País em abril - a fim de se tornar mais conhecida pelo eleitorado -, Marina tem se dedicado à formulação do programa de governo. A estratégia é construir um discurso capaz de mobilizar a militância - dentro e fora do PV.

Além da equipe liderada por Tarso, o marketing da campanha verde terá colaboradores, sobretudo da classe artística. O cineasta Fernando Meirelles, que já participou de reuniões com Marina, deverá contribuir com ideias para o programa da candidata no horário eleitoral gratuito.

"Ninguém se ilude de que será uma briga fácil", admite Tarso. "E nem queremos crescer em cima dos erros dos outros. Mas, quando houver um espaço, certamente vamos aproveitar e dar voz a Marina."

Efeito Lula. Cresce na campanha do PV a intenção de aproximar Marina da trajetória de Lula. Uma das presenças mais esperadas na convenção nacional do partido era a do teólogo Leonardo Boff - historicamente ligado ao presidente Lula. Ontem, Boff discursou sobre Marina, elogiando sua luta.

Muitos têm comparado a campanha modesta de Marina com a primeira disputa presidencial de Lula, em 1989 - e a origem humilde dos dois políticos deve se tornar um discurso recorrente.

Até existem aqueles que tentam vendê-la como a verdadeira candidata do presidente. "A Dilma é a candidata da razão do Lula", afirma um líder do PV. "Mas a Marina é a candidata do coração."

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