Década teve redução significativa de pobreza e desigualdade

Pesquisa da FGV mostra que sob Lula pobreza caiu 50,64%, superando a Era FHC com o Real, quando teve redução de 31,9%

Mônica Ciarelli / RIO,

04 de maio de 2011 | 00h34

O porcentual de pobres no Brasil caiu 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve à frente da Presidência, segundo pesquisa divulgada ontem pelo professor do Centro de Política Social da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Néri. O critério da FGV para definir pobreza é renda per capita abaixo de R$ 151.

A desigualdade, segundo ele, atingiu o "piso histórico" desde que começou a ser calculada na década de 60. Segundo o estudo, a queda da pobreza nos mandatos de Lula superou a registrada durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo o período de implementação do Plano Real. Nesse período, a pobreza caiu 31,9%.

"Acho que essa década (anos 2000) pode ser chamada de década da redução da desigualdade; assim como os anos 90 foram chamados de década da estabilização", afirmou Néri.

O estudo toma como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Pela pesquisa, a renda dos 50% mais pobres cresceu 67,93% entre dezembro de 2000 e dezembro de 2010. No mesmo período, a renda dos 10% mais ricos cresceu 10%.

A desigualdade de renda dos brasileiros caiu nos anos 2000 para o menor patamar desde que começou a ser calculada, mas ainda está abaixo do padrão dos países desenvolvidos, disse Néri. Ele tomou como base para o estudo o índice de Gini, que começou a ser calculado nos anos 60. O índice Gini brasileiro está em 0,5304, acima do taxa de 0,42 dos Estados Unidos. Quanto mais próximo do número 1, maior a desigualdade. "Acredito que ainda vai demorar mais uns 30 anos para que possamos chegar aos níveis dos EUA", disse.

Para o professor da FGV, o aumento da escolaridade e o crescimento dos programas sociais do governo foram os principais responsáveis pela queda da diferença de renda dos brasileiros mais ricos e mais pobres entre 2001 e 2009. "O grande personagem dessa revolução é o aumento da escolaridade. Mas ainda temos a mesma escolaridade do Zimbábue", afirmou o economista.

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