Decepção com a presidente será 'inevitável', segundo 'Guardian'

Já o 'Financial Times' prevê que 'o Brasil sem o presidente Lula pode se tornar mais turbulento'

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2010 | 00h00

Os próximos quatro anos "serão mais difíceis" para a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), do que foram para Luiz Inácio Lula da Silva. E depois dos oito anos de Lula, ela terá "uma lua de mel mais curta" e "inevitavelmente decepcionará". As duas opiniões foram dadas em editorial, ontem, por dois respeitados jornais ingleses, The Financial Times e The Guardian.

Este último diz que a decepção é inescapável porque "após dois mandatos, Lula tem o status de uma entidade divina no País". Ao contrário dele, Dilma é "uma tecnocrata de estilo rápido e direto" que assumirá o poder "em circunstâncias diferentes e com habilidades diferentes". Para o Guardian, os assuntos administrativos não devem lhe criar problemas, "mas os políticos poderão". É que "a bajulação e a sedução não são o que ela faz melhor, embora ela chegue ao poder com maioria nas duas casas do Congresso".

O jornal adverte para uma armadilha: o boom econômico pode trazer problemas, com a ameaça de desindustrialização, se o País continuar sendo apenas exportador de commodities e não investir em produção mais sofisticada. "Os recursos da exportação vêm de produtos primários como minério de ferro, petróleo, soja e algodão". Mas exportar carros, sapatos ou têxteis "são um caso diferente". Para eles terá de "lidar com desafios mais intratáveis - como salários, aposentadorias, sistema tributário e dívida pública, assuntos pelos quais Lula não se interessou".

"Menos popular". No seu editorial, o Financial Times prevê que, sem Lula, "o Brasil pode se tornar mais turbulento e menos popular". Diz ainda que "a capacidade de Lula de praguejar contra alguma coisa de manhã e elogiá-la de tarde" o ajudava a superar muitos problemas, como a corrupção. Mas Dilma terá dificuldades em manter sua coalizão partidária, "a não ser que Lula mexa os pauzinhos nos bastidores".

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