Decisão de negar extradição causa onda de protestos no país

Houve mobilizações em Milão, Veneza, Nápoles, Palermo, Bolonha, Bari e diante da Embaixada do Brasil em Roma

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2011 | 00h00

Centenas de manifestantes se reuniram ontem, em diferentes cidades da Itália, em protestos contra a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar o ex-ativista Cesare Battisti. Houve mobilizações em Milão, Veneza, Nápoles, Palermo, Bolonha e Bari, além de Roma, onde a reunião ocorreu diante da Embaixada do Brasil, na Praça Navona, a mais importante da cidade. Após reunir-se com as famílias de vítimas, Silvio Berlusconi prometeu "mão de ferro" e reafirmou que pode levar o caso aos tribunais internacionais.

Ao longo da tarde, líderes políticos de todos os maiores partidos da Itália se revezaram no protesto de Roma, de militantes de extrema-direita da Liga Norte aos de esquerda do Partido Democrático. Em faixas e cartazes em português e italiano, os cerca de 300 manifestantes criticaram a decisão de Lula. "Vergonha", "Battisti e Lula, o assassino e seu cúmplice" e "Lula matou-os uma segunda vez" eram mensagens que podiam ser lidas em frente à Embaixada do Brasil. Alguns gritos com ofensas ao ex-presidente também puderam ser ouvidos.

Ao ato suprapartidário se somaram parentes de vítimas como Alberto Torregiani, filho do joalheiro Pierluigi Torregiani, assassinado em Milão em 1979 por membros do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), do qual Battisti era militante.

Às margens do protesto, Torregiani foi recebido no fim da tarde pelo presidente do Conselho da Itália, Silvio Berlusconi. Na saída, relatou o encontro. "Eu tive a promessa de firmeza máxima contra o Brasil", disse Torregiani. "Agora estamos mais certos do empenho do governo."

Haia. Já Berlusconi reafirmou que fará todos os esforços pela extradição de Battisti - o primeiro dos quais o recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. Berlusconi prometeu organizar uma entrevista coletiva com a presença de Torregiani em Bruxelas para divulgar "a realidade dos fatos". O chefe de governo confirmou ainda que levará se necessário o caso ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia. "Battisti é um verdadeiro criminoso que se abriga atrás de uma ideologia política", argumentou.

Também em Roma, o chanceler italiano, Franco Frattini, recebeu o embaixador da Itália no Brasil, Gherardo La Francesca, chamado à capital para consultas, e reforçou a hipótese de que o país recorra à corte de Haia. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o encontro visa a "examinar as consequências da ação judiciária a ser tomada no caso Cesare Battisti".

Berlusconi descartou a hipótese de que o caso prejudique as relações bilaterais. "Este caso não afeta as boas relações que temos com o Brasil. Trata-se de um caso de Justiça e nossas relações não mudarão." / COM AFP E ANSA

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