Decisão foi tomada pensando na próxima eleição presidencial

A decisão de "independência" no segundo turno das eleições presidenciais tomada pelo Partido Verde e por sua candidata Marina Silva não tem nada de neutra. A cúpula da bem sucedida campanha de Marina avaliou que apoiar o tucano José Serra ou a petista Dilma Rousseff poderia até garantir espaço num futuro governo. A questão é que diminuiria o tamanho político que a senadora acreana conseguiu garantir na campanha.

Cenário: Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2010 | 00h00

A decisão de Marina e de seus principais aliados foi a de continuar apostando no fortalecimento do projeto da terceira via política nacional. Nessa visão, para consolidar uma proposta alternativa a PT e PSDB para as eleições de 2014, os dirigentes do PV concordaram que seria impossível trocar apoio por postos num governo liderado por esses partidos, sob pena de Marina se transformar num satélite do futuro presidente.

Além disso, interesses locais do partido não seriam prejudicados, já que as seções regionais do partido que desejavam alinhar com alguma candidatura, já o estavam fazendo informalmente desde o início da campanha do segundo turno. É o caso do PV em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, alinhados com Serra, e do PV do Maranhão e Acre, que apoiam Dilma.

Com o foco no fortalecimento de Marina para 2014, o caso de Ciro Gomes (PSB) também foi lembrada como um exemplo de como poderia ser arriscada uma adesão a algum dos candidatos.

Em 2002, na sua segunda campanha presidencial seguida, Ciro resolveu apoiar Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, contribuindo para sua vitória. Como prêmio, foi nomeado ministro da Integração Nacional.

Ofuscado nesse governo, não teve força sequer para garantir que seu novo partido, o PSB, bancasse sua candidatura presidencial este ano.

Os verdes também avaliaram que a adesão em troca de participação no futuro governo poderia macular a imagem diferenciada que tentam construir para o partido.

Assim, em vez de seguirem a lógica de vincularem a aliança à cargos, apresentaram uma lista de compromissos que queriam ver cumpridos em troca do apoio.

Na verdade, sabiam que por mais acenos que Dilma e Serra fizessem em torno dessas propostas, seria quase impossível que chegassem ao modelo ambicionado pelo PV.

Na prática, a decisão deixa Marina como dona exclusiva dos 19,6 milhões de votos que recebeu dos eleitores. A partir de agora, ela e o PV vão definir a melhor estratégia para proteger e ampliar esse patrimônio.

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