Decisão sobre Exército no Rio será comunicada neste sábado

Os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e da Defesa, José Viegas, terão neste sábado, às 17 horas, no Rio de Janeiro, um encontro com a governadora do Estado, Rosinha Matheus, que pediu ao governo federal a permanência de tropas do Exército nas ruas da cidade até o dia 31 de março para reforçar o combate à violência praticada pelo crime organizado. Thomaz Bastos e Viegas transmitirão à governadora a resposta do governo federal em relação ao pedido e outras medidas que poderão ser tomadas para reduzir a violência no Rio.O deslocamento dos dois ministros para um encontro com a governadora foi decidido em reunião concluída na noite desta sexta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros da Justiça e da Defesa e o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.O governo federal deve apresentar neste sábado à governadora do Rio pelo menos duas propostas radicais para diminuir a violência no Estado. Uma delas é, praticamente, fazer uma intervenção branca no setor de segurança, subordinando as polícias Civil e Militar ao Centro Operacional de Segurança Integrada (Cosi), controlado por organismos federais.Além disso, será proposta a federalização do presídio Bangu I, especialmente das áreas onde estão os presos de alta periculosidade. As duas propostas foram discutidas nesta sexta, durante reunião dos ministros da Justiça e da Defesa e do diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, no Palácio do Planalto.As medidas foram depois submetidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção do governo federal é divulgar o teor do plano após a conversa que os ministros terão neste sábado com Rosinha.O sistema que o governo pretende sugerir ao Rio se parece com o que foi utilizado no Espírito Santo, onde a PF montou uma estrutura praticamente independente do setor de segurança do Estado. No Rio, no entanto, as duas polícias estaduais estariam subordinadas ao Cosi, um orgão ligado ao Comando Militar do Leste, que passaria a ser coordenado também pelas Polícias Federal e Rodoviária Federal.Toda a parte estratégica das ações estaria nas mãos da PF. O Cosi foi criada apenas para operíodo de Carnaval, mas deverá ser mantido por mais algum tempo. Nenhum dos ministros quis detalhar os pontos discutidos na reunião desta sexta.Fontes do Palácio do Planalto confirmaram que o governo também pretende sugerir à governadora fluminense que, pelo menos as alas do presídido Bangu I, onde hoje estão os bandidos mais perigosos do Estado, sejam vigiadas por agentes federais. É o que já ocorre, por exemplo, no Acre: o presídio da Papudinha, onde está o ex-deputado Hildebrando Pascoal, apesar de ser estadual, é comandado pela PF.No encontro desta sexta não foi discutido o destino do traficante Luiz Fernando da Costa, o ?Fernandinho Beira-Mar?, que está preso em Presidente Bernardes. Com o plano discutido nsta sexta, o governo praticamente abandona a idéia da força-tarefa, que foi formada no ano passado, com resultados discutíveis.?As soluções serão mais criativas?, disse Thomaz Bastos, negando-se a detalhar as propostas. Mas integrantes do setor de segurança admitem que a força-tarefa poderá ser reutilizada, caso hajanecessidade. A avaliação leva em conta que a última ação teve alguns resultados favoráveis.Enquanto a PF permaneceu com um núcleo no Rio, foram apreendidos oito toneladas de maconha a mais do que o normal, mensalmente. Além disso, foram interceptadas 40 toneladas de droga que estavam chegando ao Estado. Mas o governo poderá esbarrar em um problema para manter uma estruturano Rio.O Exército, cuja permanência não tem data definida para acabar, já recolheu pelomenos dois terços de seus homens, para conter despesas, mesmo estando aquartelados. É o mesmo caso da PF, que está desativando alguns postos operacionais importantes por falta de dinheiro.A manutenção do Exército no Rio também será discutida hoje, mas havia nesta sexta comentários no Ministério da Defesa de que os militares só iriam ficar nas ruas da cidade até o desfile das escolas de samba campeãs do carnaval.Veja o especial: Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e os ministérios

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