Decisão sobre prisão de Tatto fica para segunda-feira

A decisão da juíza da 2ª Vara Criminal de Santo André, Aparecida Angélica Correa, sobre o decreto da prisão preventiva do ex-secretário municipal Transportes na gestão da prefeita Marta Suplicy (PT) Jilmar Tatto foi adiada para a próxima segunda-feira, 19.Tatto é acusado pela Delegacia de Entorpecentes de Santo André de associação ao crime organizado, mediante infiltração em cooperativas de perueiros. A juíza mandou nesta quarta-feira, 14, o processo ao exame do Ministério Público que dará o parecer, assim que o receber. A prisão preventiva tem prazo de duração indefinido e pode se prolongar até o julgamento final do processo. Se for expedido mandado de prisão, Jilmar Tatto poderá impetrar habeas-corpus no Tribunal de Justiça para tentar derrubá-lo.AcusaçãoPreso em 6 de junho sob acusação de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, 36 anos, presidente da cooperativa de perueiros Cooper Pam, admitiu no dia 7 que a facção está infiltrada no setor. Ele disse em interrogatório que foi por determinação de Tatto que a Cooper Pam teve de abrigar integrantes da cooperativa Transmetro, dominada por pessoas ligadas ao PCC. Os fatos descritos ocorreram durante o processo de licitação das linhas feito na administração passada. Pacheco, o Pandora, não esclareceu se Tatto tinha conhecimento de que dirigentes da Transmetro eram criminosos. Ele contou que, com a prisão de um dos líderes da cooperativa, Antonio José Müller Júnior, o Granada, soube das relações da Transmetro com o PCC. "O fato gerou extremo medo, o que levou a Cooper Pam a ceder veículos à Transmetro."Na época, Tatto anunciou, segundo Pandora, a extinção da Transmetro e informou que seus membros seriam absorvidos pelas demais cooperativas. "O Granada tinha um ótimo relacionamento com o Tatto", disse Pandora, que "ouvia boatos" de que o PCC comandava a garagem 2 da Cooper Pam (a G-2).Na época das denúncias, Tatto negou ter interferido em favor da cooperativa Transmetro. Ele disse que a licitação para concessão de ônibus e peruas foi transparente. "Todas as denúncias de banditismo, mortes, ligações desses setores com o crime organizado, foram encaminhadas à polícia." ApuraçãoO prefeito Gilberto Kassab (PFL) determinou à Secretaria Municipal dos Transportes que apure a veracidade das denúncias sobre o envolvimento da cooperativa de perueiros Cooper Pam com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Também será investigada a eventual interferência de Tatto para que membros da empresa Transmetro fossem aceitos na Cooper Pam durante a licitação feita na administração petista. (Colaboraram: Marcelo Godoy, Marisa Folgato e Bruno Paes Manso)

Agencia Estado,

14 de junho de 2006 | 17h02

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