Decisão sobre transferência de Beira-Mar não está na mão de ministério

Apesar de a governadora Rosinha Matheus, e do ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, terem mostrado interesse em transferir Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o envio do traficante para outro Estado não é uma realização fácil. Beira-Mar, suposto mandante das ações criminosasocorridas no Rio desde segunda-feira, está preso no complexo penitenciário Bangu 1. Ele foi condenado por crimes cometidos no Rio e, por isso, deve cumprir a pena no Estado.Assessores do Ministério da Justiça que não quiseram se identificar explicaram que a decisão não está nas mãos do ministro e poderá enfrentar fortes oposições dos governadores dos Estados, mais especificamente de SãoPaulo e do Acre, que mantêm prisões federais. O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, acredita, no entanto, que o ministro tem autoridade para persuadir o Judiciário e transferir o traficante. "Isso não vai resolver o problema do Rio, mas acho que com a união dos governos estadual e federal a possibilidade é mais real", afirmou. "O ministro tem autoridade para negociar." Nesta segunda-feira, Thomaz Bastos disse pretende achar formas de transferir o criminoso. A declaração foi comemorada pela governadora, que já anunciou uma conversa com o ministro sobre o assunto. "É preciso acertar o que faremos com ele porque sempre falamos que ele é um preso de responsabilidade federal", declarou. Mas Rosinha esqueceu que foi exatamente a administração de seu marido, Anthony Garotinho, que fez questão de trazer o traficante de volta ao Estado em 2001. Garotinho e seu secretário de Segurança, Josias Quintal, anunciaram como "questão de honra" capturar Beira-Mar, foragido desde 1997, quando escapou de uma prisão mineira.Quintal foi pessoalmente à Colômbia acompanhar a deportação do traficante. No ano passado, uma tentativa de transferir Beira-Mar foi feita pelo governo da petista Benedita da Silva. O então secretário de Segurança, Roberto Aguiar, tentou mandar o traficante para os Estados Unidos - onde o criminoso responde a processo por tráfico - e depois para outros Estados. Não conseguiu. O então ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, disse que a idéia era inviávelporque a Constituição proibia a deportação de brasileiros natos. A ida para outros Estados foi vetada pelos governadores. "Quem pariu Mateus que o embale", ironiza o advogado de Beira-Mar, Lídio da Hora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.