Declaração de Cesar Maia sobre dengue revolta nordestinos

Um grupo de nordestinos acionou a Justiça contra o prefeito do Rio, Cesar Maia, e o subsecretário municipal de Saúde, Mauro Marzochi, por eles terem declarado que migrantes que vivem no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste da cidade, podem ser responsáveis pelos altos índices de incidência de dengue naquela região. Um protesto foi realizado hoje, em frente ao Palácio da Cidade, uma das residências oficiais do prefeito. Marzochi disse que cearenses que moram em favelas da zona oeste e viajaram recentemente para sua terra natal podem ter voltado doentes - no ano passado, ocorreu um surto de dengue no Ceará. Cesar Maia endossou. A comunidade nordestina do Rio ficou revoltada e decidiu levar o caso para o Ministério Público. Um grupo pediu hoje a instauração de um inquérito civil público. "Eles têm que se retratar e o subsecretário precisa ser exonerado. Isso é crime de discriminação de origem", afirmou Marcus Lucena, presidente da Associação Brasileira de Literatura de Cordel, que liderou a manifestação. Ele é de Mossoró, Rio Grande do Norte, e se mudou para o Rio há 30 anos, em busca de oportunidades de trabalho. O advogado Carlos Jund, que está assistindo os manifestantes, explicou que o crime de discriminação de origem é previsto na lei 7.716, de 1989. A pena é de um a três anos de prisão. Ele pediu ao MP que o município seja obrigado a prestar contas sobre a política de combate à dengue. A prefeitura não quis comentar o assunto. Hoje, começou o curso que irá preparar 500 bombeiros para ajudar na luta contra a dengue. O trabalho focará, principalmente, a região de Jacarepaguá e da Barra da Tijuca. A exemplo do que foi feito em 1999, quando houve um grave surto no Rio, os bombeiros irão trabalhar na orientação da população e na colocação de larvicida em possíveis focos. Eles ficaram à disposição da secretaria de saúde. Entram em ação a partir de quinta-feira.

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