EFE
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Declaração do papa sobre palmada serve para destacar papel do pai, dizem especialistas

Nesta quinta-feira, pontífice afirmou que é permitido bater nas crianças desde que dignidade não seja ameaçada

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 18h16

A declaração do papa Francisco feita nesta quinta-feira, 5, de que é permitido bater nos filhos para discipliná-los, desde que a dignidade das crianças não esteja ameaçada, causou polêmica. Porém, para especialistas ouvidos pelo Estado, a mensagem do papa deve ser entendida com um viés construtivo: ele quer mostrar a importância do pai na educação dos filhos, realçar o papel da paternidade dentro de casa.

"Nos livros do Antigo Testamento, o ensinamento é que o pai deve agir com firmeza. E firmeza naquele mundo podia chegar até o limite da deserção do clã", pontua o teólogo e filósofo Fernando Altemeyer Júnior, professor de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Obviamente que estamos diante de outro contexto hoje em dia."


Para o teólogo, papa Francisco quis mostrar que "há um lugar na paternidade e ela não deve ser zero". "O pai tem um papel de autoridade e deve exercê-lo, pois pais que dizem só sim, criam monstros", completa ele. "A questão da palmada não é o fulcro da questão. O papa quis mostrar que os pais precisam ser mais presentes, mais acompanhantes de seus filhos. Que assumam a paternidade. Este discurso está dentro da lógica do que o papa vem falando recentemente, da necessidade de recuperar algumas funções que estão perdidas na sociedade ocidental."

A psicopedagoga Maria Irene Maluf considera exagero criticar a frase proferida pelo papa. "Ninguém está apregoando que é para bater em criança. Não estamos dando o aval para que uma criança seja supliciada. Mas não há pai que num momento difícil não pegue com mais força no braço, não dê um tapa no bumbum ou não ameace bater no filho", diz ela. "Há situações em que a criança precisa sentir que os pais têm mais força e, portanto, é preciso obedecê-los. O meio termo é essencial: não podemos ser tão críticos a alguém que dá um tapa no filho e não podemos ser condescendentes com quem dá uma surra violenta."


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