Decretada primeira prisão de PM envolvido com milícias

A Justiça decretou nesta quinta-feira a primeira prisão de um policial envolvido com as milícias (grupos armados paramilitares que expulsam traficantes de comunidades carentes e cobram taxas para prestar serviços a moradores): o sargento PM Ubiratan Castro, do 16º Batalhão, em Olaria, na zona norte. Castro é acusado de ser o chefe das milícias do conjunto habitacional Cidade Alta, de Cordovil (zona norte), onde morreu no final de semana o sargento PM Alex Sarmento Mendes numa troca de tiros entre traficantes e milicianos. A prisão de policiais envolvidos com milícias depende da reunião de provas concretas contra eles, frisou o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Ele lembrou que a participação nesse tipo de grupo configura um "desvio de conduta", de modo que é necessário que se comprove o envolvimento efetivo dos policiais para que eles sejam punidos. "´Milícia´ é uma figura jurídica que não existe; o que há é desvio de conduta. Não pode ser só indício, tem que ser prova, para que lá no Judiciário consigamos a condenação e não percamos o trabalho de investigação", afirmou Beltrame. "Não podemos nos precipitar". O chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, lembrou que não existe uma unidade nas investigações - os inquéritos são abertos em diferentes delegacias, conforme as denúncias e as ações das milícias surgem. O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, que esteve no Rio nesta quinta-feira para fazer uma exposição sobre o esquema de segurança dos Jogos Pan-Americanos, afirmou que confia no governo do Rio para combater as milícias. Para ele, não há constrangimento pelo fato de a própria polícia fluminense investigar e prender policiais. "Nós temos que acreditar. Quando o Estado está institucionalmente desintegrado, há risco, mas não é o caso", disse Corrêa. Segundo o secretário, as favelas dominadas por milicianos - algumas delas próximas a áreas em que serão realizadas atividades esportivas do pan - estão sendo monitoradas pela Senasp, assim como outras zonas de risco da cidade, para que atletas e turistas que estarão na cidade durante os jogos fiquem protegidos. Colaborou Michel Castellar

Agencia Estado,

08 Fevereiro 2007 | 20h31

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