Decretada prisão de dirigentes do Sindiposto de Goiânia

O juiz da 10º Vara Criminal de Goiânia, Adegmar Ferreira, decretou nesta quart a prisão preventiva do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Goiás (Sindiposto), José Batista Neto, e do diretor administrativo da entidade, Adevandro Alves Monteiro. A prisão foi requerida pela Delegacia Estadual de Defesa do Cosumidor (Decon), que apura crime de formação de cartel nos preços de combustíveis de Goiânia. O juiz justifica, na ordem de prisão, que os indiciados respondem a inquérito policial desde 22 de outubro de 1999 e, "em total menosprezo e indiferença à atividade policial, ousadamente continuaram em sua práticas (formação de cartel)". A prisão foi decretada no final da tarde desta quarta-feira. O advogado do Sindiposto, Cícero Lage, disse que entraria ainda hoje com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça para tentar soltar os dois diretores. As investigações sobre formaçãoe de cartel em Goiânia começaram em outubro de 1998, quando pesquisa de preços de combustíveis feita pelo Procon-Go nos postos apontou que 80% deles cobravam valores similares. O Procon solicitou à Decon a abertura de inquérito policial para investigar denúncia de formação de cartel, contra os dois diretores do Sindiposto. Após investigação, a Decon enviou o inquérito policial ao Ministério Público (MP) que quebrou o sigilo telefônico da sede do sindicato, em dezembro de 1999. As 38 fitas gravadas pela polícia, em dezembro, divulgadas à imprensa no mês passado, revelam conversas entre donos de postos e os diretores do Sindiposto sobre os preços dos combustíveis no mercado varejista. As gravações mostram que os diretores do Sindiposto falam em ligar para proprietários de postos que estavam cobrando preços menores do que a maioria. Para os promotores do MP, as gravações comprovam esquema de cartel no mercado de combustíveis em Goiânia. O MP denuncia ainda que o Sindiposto voltou a agir em janeiro desse ano, quando o governo federal alterou a forma de tributação nas refinarias e permitiu a queda de preço ao consumidor. No início do mês, o preço do litro do combustível em Goiânia era de cerca de R$ 1,75 e caiu para cerca de R$ 1,34. Segundo o MP, o Sindiposto orientou os donos de postos aumentar o preço para R$ 1,58.

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