Decretada prisão de estilista suspeito de matar ex-sócio

A juíza Maria Angélica Guedes, titular do 4º Tribunal do Júri, decretou hoje a prisão preventiva do empresário Frankie Mackey, acusado do assassinato do estilista Amaury Veras, em 2004. Para ela, ficou clara a intenção de Mackey de "ausentar-se do distrito da culpa". Mackey está na Argentina com os pais.Mackey teve a prisão decretada depois de faltar ao interrogatório, marcado para segunda-feira passada. Ele havia comunicado ao Ministério Público que passaria as festas de fim de ano na Argentina, comprometendo-se a voltar na primeira quinzena de janeiro, o que não ocorreu.Na decisão da juíza, ela escreve que o oficial de justiça esteve nos quatro endereços que constavam como os do acusado e ainda teve "o cuidado´ de entrar em contato com o advogado do empresário. "Diante de tais fatos, assiste inteira razão ao promotor de justiça quando aponta para o fato de o acusado estar se furtando à aplicação da lei penal, pois apesar de declinar o possível endereço em que poderia ser localizado em outro país, ficou clara a sua intenção de ausentar-se do distrito da culpa, tornando a sua localização muito mais difícil", disse.Para Maria Angélica, Mackey demonstrou "total desrespeito ao Poder Judiciário do Estado que o acolheu durante anos". "Assim, há que se resgatar a credibilidade da Justiça carioca e brasileira, impondo-se a prisão do acusado como garantia do próprio prestígio e segurança da atividade jurisdicional, deixando assinalado que a repercussão de sua conduta provocou sério abalo à garantia da ordem pública". A juíza comentou ainda informações que constam nos autos de que Mackey havia ameaçado Renata Borges Veras, sobrinha de Amaury Veras. E decretou a prisão também para "assegurar que a instrução criminal seja realizada com tranqüilidade". Maria Angélica Guedes determinou a expedição de carta rogatória (comunicação de atos processuais à autoridade judiciária de outro país) para que Mackey seja citado. O empresário será notificado ainda das datas dos depoimentos das testemunhas de acusação, marcadas para 30 de outubro e 22 de novembro.A carta rogatória será encaminhada ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Sergio Cavalieri Filho. Em seguida, será entregue a um tradutor juramentado, que irá traduzi-la para o espanhol. E, por fim, Cavalieri a enviará ao Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que a encaminhará à justiça argentina. Amaury Veras foi encontrado morto em seu apartamento, em Ipanema, em 2 de setembro de 2004. À polícia, Mackey disse ter encontrado o sócio enforcado numa echarpe. Mas a perícia revelou que Veras foi golpeado na parte de trás da cabeça, o que provocou traumatismo craniano, e depois asfixiado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.