Decretada prisão de PMs envolvidos no caso AfroReggae

Agentes são acusados de omitir socorro a vítima e de pegar seus pertences; criminosos não foram presos

Maíra Teixeira, da Central de Notícias,

23 de outubro de 2009 | 17h47

A juíza Yedda Christina Ching-San Filizzola Assunção, da Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio, decretou nesta sexta-feira, 23, a prisão preventiva do capitão da Polícia Militar (PM) Dennys Leonard Nogueira Bizarro e do soldado Marcos de Oliveira Sales. Os agentes são acusados de não tomar as providências legais devidas após terem observado o coordenador do AfroReggae, Evandro João Silva, ser atingido por disparo de arma de fogo, no centro do Rio, na madrugada do último domingo, 18.

 

Veja também:

link'A perda de um guerreiro como Evandro não nos desanimará'

linkPolícia do Rio admite erro na morte de coordenador

 

Segundo a acusação, o capitão e o soldado omitiram socorro a vítima e pegaram seus pertecentes, que já tinham sido roubados pelos criminosos. Os bandidos também não foram presos. A detenção dos PMs foi pedida pelo Ministério Público do Rio. Mais cedo, comandante da PM carioca, Mário Sérgio Duarte, disse, em entrevista coletiva, que a polícia trabalha com todas as considerações possíveis na investigação da morte de Evandro.

 

Ele afirmou também que todos os policiais militares que participaram da ocorrência estão naturalmente envolvidos na investigação. "A gente leva em consideração as questões disciplinares, porque temos força para fazer isso, mas por outro lado, não podemos abandonar as questões penais e militares que envolvem o caso", afirmou.

 

Evandro ainda agonizava 50 minutos depois de ter sido baleado. A revelação foi feita pelo coordenador de percussão do AfroReggae, Anderson Elias dos Santos, o Dada, uma das primeiras pessoas a chegar ao local do crime. "Coloquei a mão no peito dele e o coração ainda estava batendo. O policial falou que era normal o coração continuar batendo", contou.

 

Nesta manhã, o governador Sérgio Cabral exonerou o chefe do setor de Relações Públicas da Polícia Militar (PM), major Oderlei Santos Alves de Sousa, que ontem minimizou a participação de policiais que não socorreram Evandro. O governador alegou que o major se comportou como advogado dos policiais e que este não era o seu papel.

 

Texto atualizado às 19h40.

 

(Com Fabiana Cimieri, da Agência Estado)

 

Tudo o que sabemos sobre:
RioviolênciaAfroReggae

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.