Decretada prisão de três por chacina

Há suspeita de que tenham fugido para o Paraguai, após crime no PR

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

A Justiça Estadual em Guaíra (PR) decretou a prisão preventiva de Jair Correia, de 52 anos, de seu filho Cleisson Correia, de 20, e de Ademar Fernando Luiz, de 26, acusados de participação na chacina que deixou 15 mortos e 8 feridos na tarde de anteontem. Suspeita-se que os três tenham fugido para o Paraguai e, por isso, já houve um pedido oficial de apoio ao país vizinho.Até a tarde de ontem, os Institutos Médico-Legais de Umuarama e Toledo haviam identificado 14 mortos. A última vítima foi identificada apenas como Ferroni por testemunhas e os comentários eram de que tinha vindo da Favela da Rocinha, no Rio. Em Toledo, porém, o IML relatou que havia no bolso da única vítima não identificada um RG com o nome de Robert Ramon Gonçalves Rios, de 35 anos (veja lista ao lado)."Os mortos tinham envolvimento ou conhecimento do problema da droga na localidade", ressaltou o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, apesar de não ter sido divulgada a ficha criminal de nenhum deles. Para o secretário, apesar de o tráfico de drogas ser constante na região, a chacina foi um "fato isolado". "Esse absurdo (a chacina) foi fruto da situação criada naquele momento de ingestão de bebida alcoólica, com pessoas transtornadas, que cometeram uma barbaridade", afirmou.Ontem, Delazari admitiu que pode rever a estratégia de policiamento para Guaíra. "As regiões de fronteira são fundamentais. Por isso, a questão pode ser revista." Ontem também ficou acertado que o Paraná e o Departamento de Canindeyú, no Paraguai, solicitarão aos Ministérios da Justiça dos dois países a adoção de um protocolo bilateral para combater o tráfico de drogas e o contrabando na região.Os envolvidos na matança teriam chegado ao sítio por volta das 8 horas e ficaram até as 13h30, segundo os investigadores. Depois de ouvir testemunhas, a polícia suspeita que as mortes foram resultado de uma briga entre gangues. O objetivo dos assassinos era cobrar uma dívida de R$ 4 mil e vingar a morte de Dirceu de França, de 35 anos, enteado de Correia. Ele foi morto em 20 de agosto, também por causa de uma disputa entre traficantes. Segundo as investigações, o primeiro a ser morto foi Misael Soares, de 16 anos, que teria sido autor dos tiros que mataram França. Ele era filho de Jussimar Soares, de 41 anos, o Polaco, dono da chácara, que também foi executado, ao lado da filha adolescente.CRIANÇASAlgumas das pessoas que foram mortas na chacina foram chamadas à chácara por ordem dos matadores. Uma mulher não identificada, ouvida pela Rede Globo, disse que, quando chegou ao local, achou que era uma brincadeira. Ela só notou a seriedade da situação quando o marido foi atingido com uma coronhada de revólver e ela, juntamente com uma filha, foi obrigada a se abaixar - também a golpes de revólver na cabeça. Outra criança foi jogada por uma janela e uma terceira saiu correndo - mesmo assim, levou um tiro no pé.Na segunda-feira, a polícia havia dado uma "batida" no galpão e achado 9 quilos de maconha. Ontem, em nova vistoria, foram encontrados mais 8 quilos da droga. COLABORARAM MIGUEL PORTELA, ESPECIAL PARA O ESTADO, E GUILHERME VOITCH, GAZETA DO POVOMORTOSJussimar Soares, de 41 anos; Zaqueu Erculano, de 34; Misael Soares, de 16; Karen Fernanda Soares; Reinaldo Martins de Melo, de 28; André Geraldo Martins, de 17; Milton Gonçalves, de 44; Alex Gonçalves Ribeiro, de 17 anos; Claudiomar Felix dos Santos, de 42; Marcelo Kronke Paulo, de 25; Manoel Pascoal da Silva, de 28; Fernando Vieira Bradfich, de 22; Renato Ramos de Oliveira, de 35; Leonardo de Mattos Prata, de 15.

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