Decreto na Argentina tira controle aéreo de militares

Enquanto os controladores de tráfego aéreo brasileiros fazem manobras para conseguir desmilitarizar o setor, um decreto assinado pelo presidente argentino, Nestor Kirchner, transferiu da Força Aérea nacional para o setor civil o controle dos vôos nacionais e internacionais no país.A decisão foi anunciada na noite de quinta-feira, 15, após um dia tenso marcado pela greve de pilotos da companhia aérea Austral, a suspensão de seus treze vôos do dia, e a ameaça de greve geral de pilotos de diferentes empresas.O protesto, argumentaram, foi contra a falta de segurança aérea no sistema de radar de um dos principais aeroportos da Argentina - o Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, destinado aos vôos nacionais e ao Uruguai. Recentemente, problemas no radar também provocaram atrasos de horas nas saídas no aeroporto internacional de Ezeiza, também em Buenos Aires.Radares Na quinta-feira, após sucessivos desmentidos de assessores da Força Aérea, sobre a falta de segurança gerada pelas condições dos radares, Kirchner criou a Anac (curiosamente a mesma sigla da Agência Nacional de Aviação Civil, do Brasil).Numa entrevista coletiva, na Casa Rosada (sede da presidência da República), a ministra da Defesa, Nilda Garré, negou que exista insegurança nos ares argentinos. "Essas acusações são infundadas e se tivesse algum problema com os radares admitiríamos e os vôos seriam operados manualmente", afirmou a ministra. Ela informou que será definido um cronograma para a transferência das funções da Força Aérea para a Anac, que terá uma estrutura própria e será ligada à Secretaria de Transportes (equivalente ao Ministério dos Transportes). Após o anúncio, pilotos e outros trabalhadores que cruzaram os braços durante o dia voltaram ao trabalho e os vôos da Austral eram remarcados para esta sexta-feira, 16.Pouco antes, pilotos que lideram os sindicatos do setor insistiam que há motivos para se preocupar. "É mentira que a situação seja normal. O principal radar (do Aeroparque) está fora de serviço e o reserva não é confiável", disse o secretário geral da Associação de Pilotos das Linhas Aéreas (APLA).

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