Defensoria pede suspensão de desocupações de favelas

Moradores da Favela Real Parque, na Marginal do Pinheiros, voltaram a reclamar de reintegração de posse

Bruno Paes Manso e Sérgio Duran, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

A Defensoria Pública entrou ontem com recurso pedindo revogação da liminar de reintegração de posse da Favela Real Parque, na zona sul de São Paulo. Anteontem, durante a operação de desocupação, cerca de 140 barracos foram destruídos, houve confronto entre policiais e moradores e a Marginal do Pinheiros chegou a ser interditada.Cerca de 55 famílias moradoras da favela estiveram na Defensoria Pública de Santo Amaro prestando depoimentos. Os moradores disseram que duas mulheres grávidas perderam os filhos durante a ação da polícia e mais quatro moradores ficaram feridos, entre eles uma menina de 14 anos. "Hoje faremos reunião para saber quais os próximos passos. Ainda não decidimos o que fazer", afirma Paula Takata, moradora do Cingapura do Real Parque e integrante do grupo Favela Atitude.O grupo de moradores acabou se dividindo. As 55 famílias que estiveram ontem na Defensoria Pública estão dormindo na casa de parentes. Cerca de 30 famílias foram para albergues e hotéis pagos pela Prefeitura. "Soubemos que ainda faltam dois trechos do terreno para serem desocupados. Estamos vendo com a Defensoria Pública como podemos deter a desocupação, prevista para ocorrer ainda esta semana."Moradores alegam que a Favela Real Parque existe desde 1965 e o processo de reurbanização do local, assim como das favelas vizinhas Jardim Panorama e Coliseu, foi incluído nas contrapartidas da Operação Urbana Faria Lima, que previam recursos para construção de moradias nessas favelas. "Isso deveria ser discutido com os moradores, mas não foi. Existe um projeto na Prefeitura que atende 600 famílias da região. Mas existem pelo menos 1.200 morando lá", diz Paula.CADASTROSegundo a superintendente de Habitação Popular da Prefeitura, Elisabete França, os barracos destruídos na reintegração de posse da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae) não constam como sendo do Real Parque no cadastro municipal. Famílias que moravam havia mais de um ano no local foram cadastradas. E o Real Parque terá projeto de urbanização.Para Elisabete, está havendo confusão por parte de lideranças e moradores sobre a remoção dos barracos demolidos. Como o Estado noticiou, a maioria não tinha moradores - havia sido erguida apenas para receber indenização da Prefeitura.

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