Defesa Civil de Pernambuco confirma segunda morte devido às chuvas

Dez municípios decretaram emergência; estimativa é de 74.783 pessoas afetadas

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2011 | 18h59

RECIFE - Menos de um ano depois de enfrentar uma enxurrada que deixou 26 mil desabrigados e 20 mortos, a zona da mata pernambucana voltou a conviver com inundações e medo. O transbordamento das águas dos rios que cortam a zona da mata e região metropolitana - Una, Capibaribe, Pirangí e Mundaú entre eles - atingiram 45 municípios. De acordo com boletim da Coordenadoria de Defesa Civil do Estado (Codecipe) divulgado no início da noite de desta quarta-feira, 3.934 famílias estão desabrigadas e outras 7.184 desalojadas. Dez municípios decretaram situação de emergência. A estimativa é de 74.783 pessoas afetadas pelas águas.

 

Duas mortes foram confirmadas. Cícero Moraes, 47 anos, morador da zona rural do município de Jaqueira, na zona da mata, morreu na terça-feira devido a um deslizamento de barreira sobre sua casa. Na segunda, Lídia Almeida Silva, de 21 anos, foi soterrada quando uma barreira caiu sobre sua residência, no Bairro dos Estados, no município metropolitano de Camaragibe.

 

"A situação não chega a se comparar com 2010, mas é muito grave", afirmou o prefeito Eduardo Passos (PSB), de Água Preta - um dos municípios em emergência - ao estimar duas mil pessoas desabrigadas no município. "Na parte baixa da cidade, cerca de 70% foi inundada pelo rio Una (que a corta) e na parte de cima, um deslizamento de barreira colocou em risco 51 famílias, que foram retiradas de suas casas."

 

O prefeito de Catende, também em emergência, na zona da mata sul, Otacílio Alves Cordeiro (PSB) não contava com a antecipação de chuvas intensas e antevê dificuldades. "Com esta nova cheia, as pessoas me cobram as casas que foram prometidas para quem perdeu suas moradias no ano passado", lamentou-se. Foram prometidas 1.035 casas dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, mas, segundo ele, nem o terreno foi desapropriado.

 

Em Barreiros, o prefeito Antonio Vicente (PSB), relatou que 10 bairros foram inundados e o comércio foi todo invadido pelas águas. Muita gente deixou a cidade para se abrigar em casas de parentes e amigos no município vizinho de São José da Coroa Grande e outra parte está em 18 abrigos. "Não foi pior porque conseguimos alertar a população antes da inundação", observou ele. Das 3,7 mil casas que estão sendo construídas no município para atender os afetados pela cheia de 2010, nenhuma foi ainda entregue.

 

O governador Eduardo Campos passou o dia visitando a área, acompanhado de assessores, para avaliar estragos e ouvir prefeitos. De acordo com o secretário estadual de Recursos Hídricos, João Bosco de Almeida, desde a cheia do ano passado, mais de R$ 500 milhões foram investidos na região - de recuperação de imóveis à construção de um novo hospital no município de Palmares, de assistência e medicamentos a um plano de contenção de enchentes na bacia do Rio Una. Serão três barragens que deverão livrar a mata sul de novas inundações. O projeto está pronto e as obras devem ter início até o final do ano, mas a conclusão só deve ocorrer em 2013.

 

O Recife, que enfrenta chuvas fortes e intensas desde abril, já registrou nos quatro primeiros dias de maio 255 milímetros, o que representa 80,3% das chuvas previstas para todo o mês, cuja média histórica é 318,5 mm. A população tem convivido com alagamentos e trânsito caótico.

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