Defesa de Adriana Villela entra com pedido de habeas corpus

Advogada é suspeita de ser mandante da execução de seu pai, o ex-ministro José Guilherme Villela

Julia Baptista e Vannildo Mendes, estadão.com.br

19 de agosto de 2010 | 13h54

SÃO PAULO - A defesa da advogada Adriana Villela entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) nesta quarta-feira, 18. Segundo a assessoria de imprensa do TJ-DF, o pedido pode ser julgado ainda hoje.

 

Adriana e mais quatro pessoas foram presas na terça-feira, 17, sob acusação de obstruir as investigações para esclarecer o assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela. A advogada é filha mais velha de Villela e, com a prisão, passa a ser também suspeita de ser mandante do crime. Ela e o irmão, Augusto Villela, são os herdeiros da fortuna em imóveis, ações e investimentos do pai.

 

Também nesta quinta-feira, a Polícia Civil do Distrito Federal toma o depoimento da suposta vidente Rosa Maria Jaques, presa sob a acusação de participar de uma farsa para atrapalhar a investigação do assassinato do ex-ministro, de sua mulher, Maria, e da empregada do casal, Francisca Nascimento, mortos com 73 facadas dentro de casa em agosto de 2009.

 

Procedentes de Porto Alegre (RS), onde residem, Rosa e o marido, João Tocchetto, também preso, chegaram na quarta-feira a Brasília, onde permanecerão à disposição da Justiça. Segundo a polícia, a vidente teria sido instruída a incriminar os falsos autores, como se fosse fruto de uma revelação paranormal.

 

A delegada Martha Vargas, que comandava o inquérito, aceitou a falsa imputação da vidente e prendeu três suspeitos, que depois foram soltos por falta de provas. Chefe de Alves à época, Martha corre o risco de ser indiciada no inquérito.

 

Em contato com os advogados, Adriana reconheceu que cometeu erros ao criticar o trabalho da polícia e apontar pistas que lhe pareceram plausíveis. Disse que buscou a vidente por desespero, diante da inércia da polícia em desvendar o caso e negou que tenha combinado com ela uma versão fantasiosa para prender inocentes e desviar a polícia do foco da investigação.

 

Adriana reconheceu que tinha uma relação tensa com os pais, mas disse que, nos últimos tempos, a situação estava normal.

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