Defesa de Nardoni diz que PM amplia dúvidas sobre varredura

Suspeito de envolvimento em rede de pedofilia, o tenente Neves que era encarregado da varredura- se matou

Patricia Lara, de O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2008 | 14h02

O advogado Marco Polo Levorin afirmou que as informações sobre o suposto envolvimento do tenente Fernando Neves Braz em pedofilia reforçam a tese de que as investigações deveriam ter sido intensificadas em relação a todos as pessoas que estiveram no Edifício London na noite em que a menina Isabella Nardoni, de 5 anos, foi jogada do 6º andar. Levorin coordena a equipe de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta suspeitos da morte de Isabella.  VEJA TAMBÉMDuas presas são transferidas por ameaçar Anna Jatobá Casal apresentou 'versões bem ensaiadas', afirma promotorPai de Isabella culpa governo por repercussão do crimeImagens da prisão do casal  Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella  "As investigações deveriam ter sido ampliadas. E essa acusação é muito grave", disse Levorin. "Esse tenente foi o encarregado da varredura no prédio e nem todos os apartamentos foram vistoriados. Na época, ele argumentou que alguns estavam fechados", afirmou o advogado.  Suspeito de envolvimento em uma rede de pedofilia, o tenente Neves, de 34 anos, matou-se, na manhã de sexta-feira, com um tiro na cabeça quando seu apartamento, na Zona Norte de São Paulo, ia ser revistado por policiais da 5ª Delegacia Seccional e da Corregedoria da Polícia Militar. "Esse tenente foi encarregado da varredura. Na época do evento (morte de Isabella), já houve questionamento por parte da defesa em relação à varredura. Nem todos os apartamentos foram varridos", declarou Levorin. "E sabemos que ele manteve uma conversa, na qual consta o agenciamento de uma criança", declarou. O coordenador da Polícia Técnico-Científica, Celso Perioli, afirmou que não vê nenhuma ligação direta do episódio envolvendo Braz com o caso Isabella. "O nosso trabalho está entregue", afirmou, sem querer dar mais explicações sobre o assunto. Segundo o delegado André Luiz Pimentel, há 90 dias uma testemunha procurou os policiais informando que recebera propostas para manter sexo com crianças numa sala de bate-papo chamada Incesto de um site na internet. A testemunha foi orientada pela delegacia a prosseguir os contatos. A polícia descobriu que o agenciador das crianças era o operador de telemarketing e pai-de-santo Márcio Aurélio Toledo, de 36 anos.  Toledo, segundo a polícia, ofereceu à testemunha a possibilidade de manter relações sexuais com crianças de 7, 9 e 12 anos. "Para impedir que ele entregasse um sobrinho de 9 anos para o cliente, pedimos ao juiz a decretação da prisão do acusado", afirmou o delegado. Na casa de Toledo, em Cidade Ademar, na Zona Sul, os policiais acharam brinquedos, DVDs de crianças praticando sexo e uma lista de 600 nomes no computador. Neles estava o nome do tenente Braz. Na quinta-feira, 29, a delegacia obteve o mandado de busca no apartamento e nos armários do PM no 5º Batalhão. Após a revista ao armário do tenente, a política seguiu para o seu apartamento. Ele pediu para que os policiais aguardassem para que ele avisasse sua esposa, que estava dormindo para que ela se vestisse. Ao sair do quarto, o tenente carregava uma pistola e correu para o banheiro, onde se matou.  O coordenador da equipe de advogados de Nardoni e Jatobá afirmou que pode requerer essa lista encontrada na casa do pai-de-santo. "Mas a investigação deve ser sigilosa por envolver crianças", afirmou.

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