Defesa de Pimenta Neves vai recorrer da decisão

A advogada Ilana Muller, que defende o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, planeja seguir ainda nesta quarta-feira, 13, para Brasília para recorrer da decisão da 10ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) que determinou a prisão de seu cliente, segundo apurou o Estado. Ela pode entrar com habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ordem de prisão pelo assassinato da ex-namorada, a jornalista Sandra Gomide, em agosto de 2000, foi dada nesta quarta-feira pela 10ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ). Ele pode se apresentar a qualquer autoridade judicial ou a polícia pode ir buscá-lo. Pimenta era diretor de Redação do Estado de S. Paulo e Sandra Gomide trabalhou na empresa como repórter e editora de Economia. Por três votos a zero, os desembargadores negaram a apelação do jornalista contra a condenação a 19 anos e dois meses de prisão, pelo júri popular de Ibiúna (SP), onde ocorreu o crime. Pimenta saiu do júri condenado, mas com direito a recorrer em liberdade. Como o recurso foi negado, a ordem de prisão da sentença deve ser cumprida.A única vitória da defesa do jornalista foi a redução da pena para 18 anos de prisão. Os desembargadores entenderam que o fato de ele ter confessado o assassinato era uma circunstância atenuante, que poderia diminuir a punição.Cronologia do caso20 de agosto de 2000 - A jornalista Sandra Gomide, de 32 anos, é assassinada, por volta das 14 horas, no Haras Setti, em Ibiúna (SP), com um tiro nas costas e outro na cabeça. 21 de agosto de 2000 - Juiz Maurício Valala, da 2.ª Vara Criminal de Sorocaba, decreta prisão temporária de Pimenta Neves. Para fundamentar o pedido de prisão temporária, o delegado Lincoln Amorim Kunisawa, assistente da Delegacia de Ibiúna, afirmou que testemunhas ouvidas disseram ter visto o suspeito deixando o local do crime. 22 de agosto de 2000 - Pimenta Neves é internado após tentativa de suicídio23 de agosto de 2000 - Advogado entrega à polícia a arma usada por jornalista, um revólver Taurus, calibre 38, com capacidade para cinco tiros. 24 de agosto de 2000 - Pimenta Neves é preso preventivamente e indiciado por homicídio doloso (teve a intenção de matar)25 de agosto de 2000 - Pimenta Neves confessa o crime e alega que foi motivado por uma traição. Ele disse à polícia ter-se sentido ?usado e ultrajado? por Sandra, ?que não correspondia no setor afetivo?. ?A traição foi pessoal e profissional?, afirmou. No depoimento, Pimenta Neves repetiu diversas vezes estar arrependido do crime e negou ter premeditado o assassinato. O jornalista obtém direito de ficar em clínica psiquiátrica. Liminar impede a transferência imediata do jornalista para uma cela do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)26 de agosto de 2000 - Testemunha diz que viu Pimenta matar Sandra31 de agosto de 2000 - Laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo revela que as balas que mataram Sandra partiram do revólver entregue à polícia pelo advogado de Pimenta Neves. No mesmo dia, o ministro Fontes de Alencar nega liminar em pedido de habeas-corpus protocolado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em favor do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves.4 de setembro de 2000 - Pimenta Neves é transferido da Clínica Parque Julieta, na zona sul, para uma cela do 77.º Distrito Policial, em Santa Cecília. A polícia montou um forte esquema de segurança para remover o jornalista da clínica psiquiátrica, onde passou dez dias, após tentativa de suicídio. Pelo menos 15 carros e 60 policiais civis participaram da operação. 28 de setembro de 2000 - Oito testemunhas de acusação são ouvidas pela do processo sobre a juíza Eduarda Maria Romeiro Corrêa, da 1.ª Vara de Ibiúna. Foram interrogados os proprietários do haras, Deomar Setti e Marlei de Fátima Setti; os funcionários João Quinto de Souza e Valmor Guerra Sobrinho; Jair Griffe, que trabalhou como segurança de Sandra, e João Floretino Gomide, Nilton Florentino Gomide e Carlos Renato Florentino, respectivamente pai, irmão e tio da vítima. 31 de outubro de 2000 - O juiz Virgilio de Oliveira Júnior, da 39.ª Vara Cível, concede liminar que impede Pimenta Neves de realizar qualquer operação com seus bens.13 de novembro de 2000 - Três testemunhas de defesa depõem. Prestaram depoimento o jornalista Arnaldo Galvão, a secretária Leila Ventura e o ex-ministro da Comunicação Said Farah. Em 1º de dezembro, foram ouvidos a jornalista Iris Walquíria Campos e o empresário Roberto D?Utra Vaz. O jornalista Roberto Müller, arrolado pela defesa, não Compareceu. 21 de fevereiro de 2001 - Questionado pelo juiz José Mauro Rodrigues Novaes, da 15.ª Vara Criminal Central, sobre a acusação de ter agredido a ex-namorada semanas antes de matá-la, Pimenta Neves não respondeu às perguntas. 23 de março de 2001 - O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concede liminar em habeas-corpus determinando a libertação do jornalista24 de março de 2001 - Pimenta Neves deixa a carceragem do 13.º DP.27 de junho de 2001 - Quatro testemunhas de acusação depõemcontra Pimenta Neves sobre agressão à ex-namorada semanas antes de sua morte. Foram ouvidos João Florentino Gomide, Nilton Florentino Gomide e Carlos Renato Florentino, respectivamente pai, irmão e tio da vítima, além de Maria Rufino, vizinha de Sandra.14 de junho de 2002 - A juíza da 1.ª Vara Criminal de Ibiúna, Eduarda Romeiro Correia, decide que Pimenta seja levado a júri popular por homicídio duplamente qualificado - motivação torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima18 de setembro de 2003 - Justiça indefere, por 3 votos a 0, recurso da defesa e confirma sentença da juíza do Tribunal de Ibiúna, que mandou a júri popular o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves. 27 de janeiro de 2006 - Julgamento do jornalista é marcado para 3 de maio, às 8 horas, no Tribunal do Júri da 1ª Vara de Ibiúna24 de março de 2006 - O ministro Hélio Quaglia Barbosa, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspende o julgamento do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves25 de abril de 2006 - O ministro Hélio Quaglia Barbosa, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspende liminar que ele próprio deu e jornalista deve ser julgado em maio. 26 de abril de 2006 - Barbosa indefere novo pedido da defesa do jornalista para impedir a realização do julgamento.28 de abril de 2006 - Pimenta Neves entra com habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão de seu julgamento pelo Tribunal do Júri de Ibiúna.03 de maio de 2006 - Julgamento de Pimenta Neves não é suspenso e começa nesta data.05 de maio de 2006 - Após três dias de julgamento, o jornalista é condenado a 19 anos, 2 meses e 12 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado, mas aguarda a apelação da sentença em liberdade.10 de maio de 2006 - O promotor criminal de Ibiúna Carlos Sérgio Rodrigues Horta e o advogado Sergei Cobra Arbex entram com apelação contra a decisão do juiz Diego Ferreira Mendes de permitir que o jornalista aguarde em liberdade o julgamento do recurso contra a sentença.15 de maio de 2006 - Pimenta Neves continua em liberdade. O desembargador Carlos Bueno, da 10ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, nega duas liminares do promotor Carlos Horta que visavam a revogar o benefício.07 de junho de 2006 - O Tribunal de Justiça nega mais uma vez dois mandados de segurança que pediam a prisão de Pimenta Neves - um do Ministério Público Estadual e outro do advogado da família de Sandra Gomide, Sergei Cobra Arbex. 06 de dezembro de 2006 - Julgamento da apelação da sentença da defesa de Pimenta Neves que aconteceria nesta data é adiado por uma semana a pedido de Ilana Muller, advogada do jornalista.13 de dezembro de 2006 - Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo diminuem a pena de Pimenta Neves de 19 anos para 18 anos e decidem que o jornalista deverá se apresentar à Justiça para ser preso.

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