Defesa de Suzane pode pedir anulação de julgamento

Com duas horas de atraso, o julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos foi retomado nesta quinta-feira, 20, com a leitura dos laudos das necropsias do casal Manfred e Marísia von Richthofen. A defesa de Suzane, ré confessa da morte dos pais, junto com Daniel e Christian, disse que vai pedir a anulação do julgamento.O argumento dos advogados da ré é o abraço dado por Astrogildo Cravinhos em seu filho Christian, quando este deu um novo depoimento, na noite de quarta-feira. Christian, que havia negado ter participado da morte do casal, assumiu ontem sua culpa em um relato emocionado. Com o interrogatório ainda em andamento, Astrogildo foi até o filho e o envolveu em seus braços. Os dois choraram muito. A defesa de Suzane não aceita que essa "cena" tenha acontecido em frente aos jurados. "Não é compreensível que o pai suba e o abrace enquanto o interrogatório não está terminado, em frente aos jurados", disse o advogado de Suzane, Mário Sérgio de Oliveira.Tanto o laudo de Marísia como o de Manfred apontam que as vítimas foram mortas por traumatismo craniano. Marísia, segundo o laudo, apresentava ferimentos na cabeça e na mão, agonizou e teve um período de sobrevida entre os golpes e a morte.O julgamento continuou com a leitura das peças, que deve levar seis horas. O Ministério Público dispensou a leitura das peças e entregou partes do processo aos jurados, para eles lerem quando quiserem. Porém, a defesa de Suzane indicou cerca de 500 páginas do processo para serem lidas.AusênciaO advogado Mauro Nacif, que também defende Suzane, não compareceu ao Fórum Criminal da Barra Funda, onde acontece o quarto dia de julgamento de sua cliente. Ele teve um problema de descolamento de retina e foi internado.No início da tarde, ele deixou a Eye Clinic, na zona sul de São Paulo, onde foi cuidar do olho esquerdo. A mulher dele, Valdívia Rangel, contou que ele foi fazer um curativo preparatório para uma cirurgia de catarata à qual se submeterá na segunda-feira. Às 16 horas, garantiu, o advogado estará no plenário do 1º Tribunal do Júri."Ele é um homem muito valente, vai defender Suzane com toda força que puder. Esse problema não vai atrapalhar o julgamento", garantiu. Valdívia contou que o marido já havia passado por uma cirurgia deste tipo, há um mês, mas houve problemas depois. Para os promotores, tudo pode fazer parte de uma estratégia da defesa para prolongar o julgamento. Nesta quinta-feira, estão sendo lidas peças do processo. Quando acabou a exibição, em dois telões, das chocantes fotografias feitas depois da necropsia do casal Richthofen, Suzane pediu para sair por alguns minutos da sala de audiência. Ela e os irmãos Cravinhos se mantêm de cabeça baixa o tempo todo. VeredictoO promotor do caso Roberto Tardelli reiterou que acha pouco provável que o julgamento termine nesta quinta-feira. Tardelli confirmou que a estratégia da defesa de Suzane irá se estender ao máximo na leitura do processo para que os jurados ao final do julgamento não estejam ainda impactados pelo emocionado depoimento de Cristian Cravinhos, dado na noite de quarta-feira, no qual ele culpa Suzane pelo planejamento do crime. "O júri é emoção, não tem a frieza do julgamento cível", explicou.A acareação entre Suzane, Christian e Daniel Cravinhos foi descartada, já que, segundo Tardelli, não há mais contradições a serem esclarecidas. "Os depoimentos demonstraram que foi um crime de casal. O casal deliberou. E aí se agregou uma terceira pessoa". Crime Suzane, Daniel e Christian confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.Ampliada às 13h30

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