Defesa de Suzane quer cansar júri com leitura de processo

O julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, acusados da morte do casal Manfred e Marísia von Richthofen, pais de Suzane, chega ao quarto dia nesta quinta-feira, 20. Após dois dias de depoimento de testemunhas, a expectativa é que o dia seja marcado pela leitura de partes do processo, procedimento que pode durar até cinco horas. A estratégia da defesa de Suzane é que sejam lidas muitas peças com o objetivo de esfriar os ânimos do júri, já que duas juradas se emocionaram com o depoimento de Christian na noite de quarta-feira. O réu voltou atrás após dois dias e assumiu ter matado a mãe de Suzane, Marísia. Caso a previsão se confirme, o julgamento será encerrado apenas na sexta-feira, 21, quando acontecerão os debates entre a defesa e a acusação, que devem durar oito horas e têm que ocorrer de uma só vez - não podem ser interrompidos num dia e retomados no dia seguinte.O promotor do caso Roberto Tardelli reiterou que acha pouco provável que o julgamento termine nesta quinta-feira. Tardelli confirmou que a estratégia da defesa de Suzane irá se estender ao máximo na leitura do processo para que os jurados ao final do julgamento não estejam ainda impactados pelo emocionado depoimento de Cristian Cravinhos, dado na noite de quarta-feira, no qual ele culpa Suzane pelo planejamento do crime. "O júri é emoção, não tem a frieza do julgamento cível", explicou.A acareação entre Suzane, Christian e Daniel Cravinhos foi descartada, já que, segundo Tardelli, não há mais contradições a serem esclarecidas. "Os depoimentos demonstraram que foi um crime de casal. O casal deliberou. E aí se agregou uma terceira pessoa". Reviravolta"Fui eu que fiz e assumo a minha parte. Peço perdão para dona Marísia e até para Suzane". Com essa declaração contundente, Christian voltou atrás e confirmou ter participado da execução do casal Richthofen e disse que a culpa de tudo é de Suzane. O depoimento aconteceu na noite de quarta-feira, no terceiro dia de julgamento e desmentiu o que ele e seu irmão, Daniel, haviam dito no primeiro dia de julgamento, quando confirmaram que apenas Daniel teria executado o casal.Frente a frente com os jurados, Christian falou durante 40 minutos e disse que tentou convencer Suzane a não levar adiante o plano de matar o casal. Ele disse ter aconselhado a jovem a chamar a polícia para denunciar os supostos abusos que sofria do pai, já que esse seria o motivo para ela querer matá-los.Apesar de ter admitido que mentiu, o depoimento desesperado provocou comoção. Chorando copiosamente, Christian se culpou por não ter conseguido evitar a tragédia. Ele disse ter falado para Daniel, quando se dirigiam do cybercafé para a casa dos Richthofen, que havia tempo de desistir do crime, mas que o irmão estava "em outro mundo". Pela primeira vez no plenário, duas juradas se emocionaram.Roberto Tardelli, promotor do caso, comentou que é possível que o depoimento da perita criminal Jane Marisa Belucci, contribuiu para a mudança da versão de Christian. "O depoimento da perita criminal sepulta a versão imprudente dele". Em seu depoimento, Jane disse que não seria possível apenas uma pessoa ter cometido o crime. "Seria impossível alguém bater no Manfred, esticar o braço ou dar a volta na cama e bater na Marísia", disse ela. CrimeSuzane, Daniel e Christian confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.Matéria alterada às 12h00 para acréscimo de declarações do promotor Roberto Tardelli

Agencia Estado,

20 de julho de 2006 | 09h45

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