Defesa: depoimentos inocentam casal

Para Levorin, prédio era inseguro e brigas são comuns entre casais

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

16 Abril 2008 | 00h00

Da mesma maneira que a polícia de São Paulo levanta suspeitas em relação às contradições nos depoimentos de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, os advogados do pai e da madrasta da menina Isabella Nardoni acreditam que poderão usar as mesmas declarações para inocentar o casal. Segundo eles, a versão de Alexandre e Anna Carolina e os depoimentos das mais de 50 testemunhas ouvidas pelos investigadores só corroboram a tese de que o casal não mentiu e que havia um terceiro elemento no apartamento. "Os depoimentos que vazaram para a imprensa apenas mostram que não há contradições ou versões fantasiosas", diz um dos advogado de defesa, Rogério Neres de Souza. Na íntegra dos depoimentos aos quais o Estado teve acesso e publicou ontem, a madrasta disse que chegou a se desentender com a mãe biológica de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, por ciúmes. Vizinhos também afirmaram que brigas entre o casal eram freqüentes. "Qualquer casal normal tem divergências", rebate Neres de Souza. O advogado Marco Polo Levorin, que coordena a defesa, também afirma que as confusões entre o casal nunca justificariam um assassinato. "Eram divergências pontuais, costumeiras na vida de qualquer casal", diz ele, que considera as provas da polícia até agora "extremamente frágeis".Entre hoje e amanhã, os investigadores do 9º Distrito Policial (Carandiru) irão ouvir parte das 22 novas testemunhas encaminhadas pela defesa: amigos do casal, técnicos e funcionários que já passaram pelo Edifício London e ex-vizinhos. Os advogados pretendem provar duas teses: de que a segurança do prédio era precária, e qualquer um poderia ter entrado naquela noite de 29 de março; e de que a família vivia harmoniosamente, sendo que Isabella e a madrasta Anna Carolina eram muito próximas. "Temos um corretor que entrou no prédio naquele dia e não teve de mostrar documentos", disse Rogério Neres de Souza. "O prédio não era uma fortaleza."De acordo com depoimento de Alexandre, Anna Carolina estaria tomando medicamentos porque passava por uma "fase difícil". Levorin justificou o fato, alegando que o filho do casal tinha dificuldade em dormir, o que atrapalhava também o sono da mãe. "Nada além disso", resumiu. Para a delegada-assistente do 9º DP, Renata Pontes, "Alexandre e Anna Carolina, os quais em tudo concordam e possuem a mesma opinião acerca do ocorrido, não apresentaram qualquer dúvida, tampouco sensação de estranheza diante das circunstâncias do crime, diferentemente de todas as demais pessoas". HABEAS-CORPUSO mérito do habeas-corpus concedido a Alexandre e Anna Carolina não foi julgado ontem pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça - a votação deve ficar para a próxima terça. O que mais chamou a atenção foi um outro pedido de habeas-corpus, feito por um advogado que sequer está no caso. Segundo a assessoria do TJ, Diego Luiz Barbare Bandeira entrou na segunda-feira com o novo pedido - advogados do casal afirmam que Bandeira não integra a equipe. O TJ, por sua vez, informou que a lei permite a qualquer pessoa impetrar habeas-corpus em favor de alguém, mesmo sem autorização da pessoa.

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